AMBIENTE URBANO

O que me importa é saber como tá o canto do sabiá... (Edson Caran, Marcos Valle e Paulo S. Valle)


Não deixe de ver as imagens de Natureza Urbana


SERRA DO JAPY

A nossa serra é um bem público? Levanto essa questão por causa de dois modelos presentes ao debate político. Um deles usa o nome esse para falar de "estatal". Outro também utiliza o conceito para mesclar com "privado". Ambos omitem o fato de serem privatizações decididas pelo nosso aparelho partidário.

Nosso contato com a serra existe desde os povoadores brasileiros de 1615, quando o centro histórico Jundiahy foi criado com uma visão espetacular dessas montanhas e bordas. Ou antes, como indicam relatos sobre peabirus (caminhos) dos habitantes indígenas que deram nome à cidade pelo seu rio e peixes na língua geral proibida pelo governo de Portugal em 1730.

Somente no fim dos anos 1800 é que essa área começou a ser mais explorada como fonte de madeira e, logo, de água potável. A ferrovia queimou mata atlântica até ser abastecida com eucaliptos australianos plantados em diversas áreas. Mesmo as fazendas de café, algumas preservadas ainda com suas senzalas de escravos, agrediam pouco o ambiente e foram adquiridas por imigrantes italianos.

O gestor público Virgílio Torricelli, 94 anos, conta que conheceu as maravilhas da serra em 1932. No levante paulista contra Getúlio Vargas alguns aviões vermelhos começaram a sobrevoar as oficinas da Companhia Paulista e muitas famílias (que moravam no centro histórico interfluvial) preferiram passar um tempo em casebres longe do risco de bombardeios. "Foi então que me levaram na cachoeirinha, um lugar maravilhoso", diz.

Em 1958, o então prefeito Vasco Venchiarutti desapropriou uma pequena área no topo das montanhas que escreveu ser o embrião de um futuro parque e medidas de proteção vieram depois nas leis municipais. Em 1978, uma passeata com milhares de jovens subiu ao Pico do Mirante onde a Kripta (de Dalmo e Colinha) tocou Pink Floyd para marcar a luta pela defesa da serra contra loteamentos na região da Ermida.

Em 1983, com a chegada da oposição ao governo paulista, o geógrafo Aziz Ab´Saber assina o tombamento da Serra do Japi como monumento natural. Na época, o pesquisador amador Francisco de Matheo faz planos de um observatório astronômico para marcar o Pico do Mirante.

Daí em diante existem vários relatos. O governamental, com a criação de novas leis estaduais (Área de Proteção Ambiental) e municipais (Território de Gestão da Serra do Japi) e suas medidas correlatas. O científico, com a consolidação de pesquisas que tiveram seu marco em 1992 com "História Natural da Serra do Japi", da Editora da Unicamp, e recentes descobertas de aves e peixes.

E mais um terceiro, na minha opinião desvalorizado, que é o relato público. Milhares de pais levaram ao longo dos séculos os seus filhos para conhecer e respeitar a natureza. Onde mais treinar a audição para ouvir até dez pássaros, sapos ou macacos sonorizando ao mesmo tempo? Onde mais entender que a liberdade do vento seleciona as árvores mais saudáveis ao quebrar os galhos frágeis?

Nesse relato também estão as bençãos recebidas por cultos afrobrasileiros, por meditações fotográficas, pela inspirações para músicas de vários discos de artistas jundiaienses.

A destruição de capelinhas de beira de estrada, a colocação de cercas de arame farpado ou a restrição de visitas a cachoeiras são temas recentes a serem
pensados. Uma apoio lembrado para isso é "A Tragédia dos Comuns", que o inglês Garret Hardin escreveu em 1868.

Ao lado de obviedades como o fato de que um pássaro, por exemplo, não fica o tempo todo pousado em uma árvore. A altura de seus voos é o limite da proteção vertical da Serra do Japi e isso deve estar claro ao setor de aviação.

Onde a serra é estatal, como na Reserva Biológica Municipal, os passeios monitorados não foram realizados no último verão. Onde a serra é privada, como em 90% de suas terras, avançam algumas ideias extremas de ocupação e isolamento. São sinais de atenção.

Mas somos milhares de amigos da serra, a variada tribo do Japy. Não sei se a florada daquela espécie amarela que parece girassol pode nos inspirar, mas seria o momento de uma grande conferência da Serra do Japi. Um futuro onde quem não andar por ali de bicicleta ou caminhada possa conhecê-la com um veículo elétrico que não interfira nos sons locais e seja calibrado na velocidade de 30 quilômetros por hora. E que também, de alguma forma, possa continuar sendo o horizonte ("skyline") de seu centro histórico interfluvial Jundiahy.

 

 





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O PEIXE e A ÁRVORE  -
O termo Jundiahy pode ser encontrado em exemplos usados pelas ciências da natureza. É o caso do peixe da familia dos bagres, o Jundiá (Rhamdia quelen, no nome científico). Na imagem acima está a capa de catálogo de 30 espécies de peixes na região da serra pesquisados em projeto conjunto da Associação Mata Ciliar com a UNESP, com apoio do programa Petrobrás Ambiental.  O segundo exemplo é uma variedade de pau-terra que leva o nome científico de Qualea Jundiahy, em imagem do livro Árvores Brasileiras, de Harri Lorenzi.

Veja mais cenas em NATUREZA URBANA ou dê uma olhada nas CRÔNICAS



Mais de 7 mil árvores vivem na área de Jundiahy.


O QUE É O CENTRO INTERFLUVIAL
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A bacia do rio Jundiaí, como é usado dizer na língua portuguesa, decorre de um erro de tradução explicado na seção de CAUSOS. O foco agora é imaginar a topografia de Jundiahy a partir de sua drenagem de águas para os riachos Jundiaí, Guapeva e do Mato. Outros córregos menores foram extintos ao longo do tempo.
  

Ao leste e ao norte, recolhe águas da Ponte de Campinas, Barreira, Ladeira Municipal, Eixo Bandeirantes, Largo do Chafariz,
Ladeira Siqueira, Paulista e Vila Graf, além de partes da ladeira Segre e do largo São Bento.

Ao sul e ao sudeste, a bacia do rio Guapeva recebe águas da Várzea do Guapeva, da ladeira Cavalcanti, do largo da Saúde, do largo São José e de partes da ladeira Torres Neves, do largo Monte Castelo e do largo do Quartel. 

Ao oeste, a bacia do córrego do Mato recebe águas da Bela Vista, do largo da Bandeira (ou ladeira do 28), do largo dos Andradas, da ladeira São Jorge, da ladeira Tomanik, do largo das Rosas, do largo do Fórum e de parte da ladeira Segre e do largo da Catedral.


PATRIMÔNIO -
Da sabedoria indígena ao conhecimento acadêmico existem muitos argumentos para o carinho popular de Jundiaí e região com o meio ambiente. Não é sem motivo que o centro histórico é demarcado por riachos e suas praças tenham sido sempre tão importantes para eventos e contemplação. e sua não menos importante paisagem histórica formando um  MUSEU DE RUA

ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - O centro histórico interfluvial que chamamos neste portal como Jundiahy faz parte do território reconhecido como Área de Proteção Ambiental de Jundiaí, criado por legislação estadual. Saiba mais sobre as características dessa APA.





Aliás, já imaginou o centro interfluvial como uma área histórica onde os carros poderiam passar sem cintos de segurança,
 com velocidade limitada a 30 quilômetros por hora nas ruas? Essa proposta é imaginária, mas seria possível.  



Em tempo: o centro histórico interfluvial continua sendo uma área indicada para caminhadas.
Conheça os ROTEIROS LOCAIS.






Tópicos de Jundiahy

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* No entorno da Ponte de Campinas, a canalização do rio Jundiaí parece ter radicalizado no concreto usado nas margens a jusante (rio abaixo) e no córrego das Walquírias, que liga as águas da Serra do Japi com o rio principal da bacia. A lógica da engenharia contra inundações é visível, mas vale lembrar casos como Seul (Coréia do Sul) ou Curitiba (Brasil) para a alternativa de parques lineares quando possível..

* No entorno da Bela Vista e da ladeira Tomanik, o córrego do Mato respira depois de protestos populares no ano passado que levaram à revisão dos projetos para a área pela Prefeitura. É uma conquista democrática da comunidade e da reavaliação criteriosa dos setores públicos envolvidos (Ministério Público, Fundação Municipal de Ação Social, Caixa Econômica Federal). A drenagem urbana é possível com tubos paralelos aos riachos.   

* No entorno do largo Monte Castelo, o rio Guapeva segue mostrando boa recuperação. E estimula o potencial de um pequeno parque incluindo a mata ciliar no setor começando na Ponte Torta e passando pela encosta verde do largo, pela praça em declive e pelos terrenos vagos na margem esquerda do rio entre as ruas da ladeira Cavalcanti. Existe inclusive uma pequena faixa  com um caminho urbanizado para passagem de pedestres e ciclistas.

* No entorno da Várzea do Guapeva está o encontro desse rio com o eixo da bacia, o rio Jundiaí. A montante (rio acima) suas águas chegam ainda poluídas de Várzea Paulista e Campo Limpo Paulista - porém a SABESP Saneamento do Estado de São Paulo anunciou que estão sendo iniciadas as obras da estação de tratamento de esgotos dessa região. E em todo esse trecho existem estudos da Prefeitura para um possível parque linear.

* No entorno da Vila Graf  o grande debate é o desenho da nova ligação entre o centro histórico interfluvial e a zona leste, região criada pela colonização italiana do século XIX (Ponte São João, Colônia e Caxambu). A proposta inicial é um túnel de mão dupla interligando a avenida União dos Ferroviários (na região das antigas oficinas da Companhia Paulista) com uma duplicação da atual avenida marginal do córrego da Colônia. Como isso implica em desapropriações de casas, o debate ainda não foi encerrado mas já antecipa o futuro Estudo de Impacto de Vizinhança (atualmente em estudo).

* No entorno do largo da Liberdade, uma área verde remanescente ainda abriga vestígios do antigo córrego da Sorocabana/Fleischmann e pode ser recuperado diante do avanço da ocupação urbana.

* No entorno da Barreira, a "moldura verde" formada pelos morros entre a rodovia Constâncio Cintra (Itatiba) e o Jardim Florestal é motivo de preocupação de muitos moradores. Em maio de 2009, o secretário de serviços públicos, Walter Costa e Silva, afirmou que a legislação, mesmo com avanço dos empreendimentos imobiliários, prevê a conservação de 400 mil metros quadrados de áreas verdes. Moradores esperam que seja suficiente para preservar o trânsito de aves silvestres e até saguis que existe nessa região.


A imagem da roda (acima) é simbólica e foi emprestada das ações do Fórum Caxambu na região. Também outra entidade que atua nesse tema, a Associação Mata Ciliar, está entre as entidades exibidoras do circuito Tela Verde. Outras entidades, sediadas no centro histórico interfluvial, podem ser vistas na seção CENTRO ATIVO.

    

QUER ENTENDER A IMPORTÂNCIA DAS CONEXÕES VERDES DE JUNDIAHY PARA O AMBIENTE  NO ESTADO?




ALERTA PARA REVITALIZAÇÃO DA NOVE DE JULHO

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Acima, imagens do rio Han em Seul (Coréia do Norte) antes e depois da demolição do "minhocão" e da revitalização ambiental que o transformou em símbolo da cidade e exemplo de recuperação do ambiente urbano contra o predomínio dos automóveis acima de tudo. As fotos e mais detalhes podem ser vistos em http://ecourbana.wordpress.com/2009/05/23/revitalizacao-impressionante-do-rio-seul.

Por Jayme Martins

Como a Prefeitura está em vias de empreender as obras de remodelação da avenida 9 de Julho, no qual a preocupação maior seria ampliar o número de pistas carroçáveis, seria oportuno que a equipe encarregada do projeto conhecesse as obras de revitalização urbanística da Capital da Coréia do Sul. Em duas ocasiões, já vimos pela Globonews partes de um documentário sobre a realização do projeto coreano e ficamos deslumbrados com o resultado.

Foi implodido o minhocão (monstruoso como o do Maluf sobre a avenida São João) que dominava o vale central de Seul e atendia exclusivamente às necessidades do tráfego de carros, infernizando a vida da população dessa área. Agora o curso d´água que havia sido tapado pelo minhocão foi ressuscitado e o antigo vale restaurado, com denso ajardinamento, povoado de árvores e flores, bancos e praças, no qual as famílias vizinhas de qualquer parte da cidade desfrutam de lazer em ambiente de pureza e regozijo.

Por solicitação nossa, o querido amigo global Fabbio Perez deve solicitar hoje uma cópia desse documentário à Globonews. Idêntico pedido fizemos à Embaixada da Coréia do Sul, cuja assessoria informou que o ministro-conselheiro da Embaixada ficou de nos enviar uma cópia. Com isso, esperamos contribuir que a 9 de Julho seja revitalizada e não simplesmente remodelada em prol de carros e caminhões e não pelo bem estar da população.(O autor é  jornalista e um dos mentores do projeto de despoluição do rio Jundiaí em 1982, em artigo de 24/06/2009 no diário Bom Dia - http://www.redebomdia.com.br). 


A ESTÓRIA DE UM RIO QUE VIROU CÓRREGO

Por Roberto Franco Bueno

Conta-nos a história que Rafael de Oliveira, “o moço”, Petronilha Antunes e famílias, encantaram-se com o local da aldeia de Jundiahy, no alto de um morro cercado por três rios: o Jundiahy com sua densa mata ciliar a leste, o Coapeba, com sua extensa várzea ao sul e o Rio do Mato, em férteis terras a oeste.

Rafael descende de Beatriz irmã de Bartyra, filhas Tebiriçá; a primeira esposa de João Ramalho e a segunda criada por este; as quais conviveram na Vila de São Paulo, naquele mundo maravilhoso da mata atlântica, muito bem descrito por Anchieta em suas cartas.

Beatriz teve 5 filhos do lusitano Lopo Dias, dentre os quais a última, Suzanna, meia índia, morena faceira e bem nascida; casou na freguesia de Quitaúna com Manuel Fernandes Ramos, sevilhano de Moura, Portugal.

Manuel e o irmão André fundaram Sant’Anna de Parnahyba, às margens do Anhemby, estrada líquida, início do caminho do sertão, de onde o neto de Suzana, Rafael de Oliveira, “o moço”, adentrou o Guaxinduva e o Japy à busca de ouro; aculturando índios para o trato de suas  terras.

Por outro lado o tronco Pretos da Freguesia do Ó, gerou Petronilha, casada com Antônio Jorge o qual, pela sua mãe, era neto de Piqueroby, irmão de Tebiriçá. Receberam sesmaria em Hibiturucaia, a leste do sertão de Jundiahy, onde se assentaram em 1614.

Os primeiros moradores das bucólicas paragens de Jundiahy ergueram uma capela no pelourinho da freguesia e, mais tarde, reunindo seus índios e suas fortunas construíram a Matriz de N.S. do Desterro, cultuando a saudade de suas origens.

O celeiro daquela aldeia, Termo e depois Freguesia de Sant’Anna, foi o córrego do Rio do Mato, ao longo do qual plantavam roças de cana, mandioca, cereais, legumes, verduras, criavam gado e, rio abaixo, lavadeiras ganhavam seu pão na bica, sob o correr de paineiras que dali, subia à Chácara do Padres cuidada pela austera Da. Urbana.

Por que essa estranha e intrigante denominação:-córrego do Rio do Mato ?

A princípio era o Rio do Mato, um curso d’água no vale entre o Anhangabaú e a Bela Vista, o qual recebia o córrego deste alto, três bicas d’água que nasciam na encosta oeste da Vila, desde a Capela até a Chácara dos Padres; além de três outras do lado oposto, entre o alto do Anhangabaú e o Retiro.

As águas do córrego Bela Vista foram paulatinamente desviadas na altura do Largo do Rocio, (Santa Cruz), primeiro a servir ao bebedouro no local de saída das bandeiras; depois ao curtume nos fundos da casa de Nhá Poli (esquina da Barão do Triunfo com Baronesa do Japy); e, finalmente, ao moinho de fubá atrás da casa de Estácio Ferreira, procurador da Câmara e benemérito do Mosteiro de S. Bento (esquina da Cel. Leme com Petronilha Antunes).

Além disso, a sobra dessas águas tomou o rumo do vale do Guapeva, para servir às roças de Antonio Álvarez Bezerra e seus filhos, donatários da Câmara, roubando ao Rio do Mato o porte de Rio, apondo-lhe o povo o epíteto de córrego.              

Também havia, a seu meio curso, a bela lagoa da Vila Iracema, na chácara da família Gelli onde garças, pacas, capivaras e a molecada, por séculos; felizes, desfrutaram daquela natureza exuberante.

Está hoje em construção uma galeria desde o Largo pela rua Abílio Figueiredo, devolvendo aquelas desviadas águas ao velho Rio do Mato, restaurando-o. Quando o homem põe sua sabedoria a serviço da natureza, ela mesma o conduz a soluções inteligentes para problemas urbanos.

As leis de proteção aos mananciais, obrigam a conservar a vegetação ciliar ao lado de cursos d’água; criar vias marginais com emissários de esgotos, evitando sua poluição; prover secção de canal suficiente a conter sua bacia hidrográfica e até manter meandros, a disciplinar a velocidade das águas; preservando margens, vegetação e paisagismo.

Exigir o cumprimento delas é o mínimo que uma cidade civilizada pode esperar de seus administradores e urbanistas, para preservar o futuro e a natureza a nós concedida sem que pagássemos a Deus um tostão sequer de imposto; mas pela qual somos todos responsáveis.

Projetos excludentes da vida e propostas que só têm como justificativa a legal burocracia, nos deixam preocupados com certos tecnocratas que, não tendo criatividade, talento ou competência para solucionar simples problemas de conservação e preservação da natureza - herança de todos - AGRIDEM-NA, tentando cobrir rios com concreto.

Como são pobres de espírito!

Estamos sofrendo hoje as conseqüências do enorme equívoco que foi elencar o meio rodoviário como solução do sistema de transporte em nosso país continental, desmontando ferrovias e privilegiando automóveis, alargando ruas, colocando o individualismo acima da coletividade.

Meio ambiente não se constitui apenas da preservação de bens naturais, mas sim e principalmente, da historia e formação cultural de um povo, que por sua forma de vida inserida em um conjunto natural, o mantém pelos seus costumes, construindo o sócio-ambiente patrimônio de suas tradições.



DIA MUNDIAL DE AÇÃO CLIMÁTICA
Que tal uma singela marcha entre os largos do Fórum e do Quartel no dia 24 de outubro? Clique acima e entenda.






SEMANA DO MEIO AMBIENTE 2009

COLETIVO DOS POVOS DO JAPI - Dia Mundial do Meio Ambiente


Carta Aberta


A Serra do Japi não pode mais ser usada como lastro ambiental. ua suposta preservação não pode justificar o avanço dos empreendimentos imobiliários sobre as áreas rurais e os córregos e rios engolidos pela urbanização. A iniciativa do consórcio entre prefeituras do entorno do Japi precisa ser acompanhada com atenção pela sociedade civil organizada.


O Coletivo dos Povos do Japi é uma proposta de parceria entre ONGs e movimentos socioambientais atuantes na APA - Área de Proteção Ambiental - território delimitado por leis, parcialmente regulamentado. Há três anos, a partir do Encontro dos Povos do Japi, (2006) um grupo trabalha a construção do coletivo. Fórum Permanente Caxambu e Mata Ciliar (Jundiaí), Mata Nativa (Cajamar), Novas Trilhas (Pirapora do Bom Jesus), Coletivo Jovem Caipira/REJUMA (Cabreúva), Caminho Verde (Campo Limpo Paulista.), Ecomursa (Várzea Paulista), Ecosalto (Salto) e Caminho das Águas/INEVAT (Itu) cooperam nessa tarefa.


Cada uma destas instituições tem sua identidade, suas prioridades e ações. Mas neste Dia Mundial do Meio Ambiente,apresentam-se novamente como Povos do Japi e, em Coletivo, reafirmam a disposição de trabalhar em parceria e ações regionais em defesa do meio ambiente, da vida, dos interesses da comunidade - sobretudo de crianças, jovens e das gerações futuras.

 

 Foi a presente lida publicamente em 5 de Junho de 2009, no Anfiteatro da EE Bispo Dom Gabriel Paulino Bueno de Couto, Jundiaí-SP, em atividade que contou com a presença do Exmo. Senador da República por São Paulo, Eduardo Suplicy. Subscrevem as entidades, movimentos e demais participantes.




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A maquete da DAE S/A para uma das obras do PAC - ampliação da represa do Jundiahy-Mirim.
O lago da esquerda é o atual Parque da Cidade e as pontes são na estrada do Pinheirinho e na
rodovia Constância Cintra (em direção a Itatiba).

Ainda não houve divulgação de planos do DAE  S/A para a prevenção do gás metano criado pela mata que poderia ficar submersa pela ampliação da represa de abastecimento da cidade. Vale refletir sobre essa obra essencial do plano federal de investimentos, o PAC, porque sua outra perna em Jundiaí deu muito pano pra manga. A canalização de córregos gerou protestos e culminou em mudanças no projeto para o córrego do Mato, na avenida 9 de Julho, com acenos do governo também no caso do córrego das Walquírias, que corta a rua do Retiro. 
 
Veja outros momentos da semana, em junho:

A Eco Jundiaí 2009 surpreendeu desde os painéis de carros feitos de bagaço de cana pela Plascar até os trabalhos de escolas com as nascentes do rio Capivari, no Rio Acima, com agenda 21 escolar “do Pedrinho”, em Louveira, com a coleta de água de chuva, no Jundiaí-Mirim, com as tecnologias limpas, das Faculdades Rosa... E tantos outros, num mosaico que mereceria um fim de semana inteiro na próxima edição, com atrações culturais de apoio e coleta de agasalhos na entrada.

http://www.jundiai.sp.gov.br/PMJSITE/portal.nsf/V03.02/smpm_apresentacao?OpenDocument

O zoólogo João Vasconcellos, da Unicamp, deu um tom ao debate citando novas disciplinas emergentes como a “desconstrução”, que é o aumento do verde no ambiente urbano e em seus riachos em uma inversão do caminho feito anteriormente.

http://premioreportagem.org.br/article.sub?docId=7802&c=Brasil&cRef=Brazil&year=2004&date=novembro 2

O pessoal da
Florestas Urbanas defendeu o combate a “ilhas de calor” em bairros pobres ou favelas pela criação participativa de ambientes verdes. Até pontos de ônibus com trepadeiras e telhados vivos são possíveis. Uma beleza.
http://www.floresta-urbana.org

O Coletivo Povos do Japi, com o apoio de ONGs, alertou para que coisas como o protocolo de intenções das prefeituras de Jundiaí, Cajamar, Cabreúva e Pirapora, sobre um consórcio para a Serra, não sejam usadas como pretexto para a falta de cuidados nas outras áreas de cada município. Boa.
http://socioambiental.ning.com

A Câmara Municipal teve eventos como um seminário sobre a criação do Estudo de Impacto de Vizinhança para grande projetos públicos e privados no município e outro sobre experiências de desenvolvimento sustentável, além da derrubada de vetos do prefeito para a criação do IPTU Verde e da Comissão de Bem Estar Animal (que precisa definir critérios tanto para os animais domésticos como para os silvestres que usam o espaço urbano).
http://www.camarajundiai.sp.gov.br/cmjnet

Na Semana do Meio Ambiente a ONG Mata Ciliar promoveu distribuição de mudas em parceria com o Paineiras Center, que numa próxima oportunidade pode incluir em seu cartão institucional o nome da espécie e a altura que pode atinger a mesma quando adulta para orientar as pessoas sobre onde plantá-las e prolongar a utilidade do seu cartão de forma sustentável.
http://www.mataciliar.org.br

Em Várzea Paulista, de onde chega parte da poluição do rio Jundiaí, a perspectiva de uma estação de tratamento conjunto de esgotos com Campo Limpo é acompanhada de eventos que vão além da semana e comemoram o mês do meio ambiente.
http://www.varzeapaulista.sp.gov.br

Em Campo Limpo, esteve muito ativa a ONG Caminho Verde nos eventos da semana chamando a atenção especialmente para a necessidade de ações de educação ambiental perto das nascentes do rio Jundiaí.
http://www.ongcaminhoverde.org.br


      Inspiração e cartão postal
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Os dois selos e o cartão postal de 2008 dos Correios e Clube Filatélico de Jundiaí:
só faltou os peixes e uma tiragem maior. Foto: Cleber de Almeida para site da Prefeitura.




Trecho do hino...

Que belas tardes amenas!
Que lindas noites,
Felizes, serenas!
Teu jardim, é um paraíso
Onde a mocidade sempre jovial,
Com seu odor, confunde o riso.

Quem poderia imitar
O teu céu com suas cores?
Com teus lindos fulgores?
Os teus campos, tuas flores?

Só a natureza guiada pelo Criador
É que pode pintar este arrebol
Que jamais vi,
Tardes ao pôr do Sol!


(Haydée Dumangin Mojola, trecho do hino Terra Querida, Jundiaí, 1933)





Divagações


PORQUE PENSAR A POLUIÇÃO AMBIENTAL É IMPORTANTE? VEJAM ISTO...

Sons da floresta revelam que biodiversidade da
Amazônia é muito maior do que se imaginava


Utilizando a bioacústica, pesquisadores estão descobrindo novas espécies no
bioma amazônico. Assunto será debatido na 61ª Reunião Anual da SBPC.


Através dos ouvidos, pesquisadores na Amazônia estão fazendo descobertas sobre a real biodiversidade da floresta amazônica que passaram despercebidas aos olhos de outros cientistas que se dedicaram a estudá-la. Utilizando a bioacústica, uma ferramenta tida como uma das mais úteis para reconhecer e identificar na natureza a diversidade de aves e outros animais que emitem sons, eles estão constatando que a variedade de espécies do bioma amazônico é muito maior do que se imaginava.

“Onde nós achávamos, pela observação visual, que tinha uma espécie só, quando estimulamos nossa atenção pelo som descobrimos que tinham diversas que foram cegamente ignoradas, porque em uma primeira impressão pareciam todas iguais”, afirma o ornitólogo e curador da coleção de aves do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Mario Cohn-Haft. Ele abordará esse assunto em uma conferência durante a 61ª Reunião Anual da SBPC – evento que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) promoverá de 12 a 17 de julho em Manaus (AM).

De acordo com o pesquisador, que estuda os padrões de distribuição de aves amazônicas, as pesquisas sobre a biodiversidade da Amazônia foram iniciadas utilizando a visão, o sentido humano mais desenvolvido, para identificar as espécies pelos seus aspectos morfológicos – as formas e cores. A partir da década de 50, com o surgimento de potentes gravadores de som portáteis e de análise visual dele - denominada análise acústica, em que o som é convertido em um gráfico, o sonograma –, se tornou possível também utilizar o estudo do som para catalogar a diversidade e variabilidade das espécies na Amazônia.

“Os sons estão possibilitando identificar a diversidade biológica da floresta amazônica, que muitas vezes é ofuscada pelos aspectos visuais. Os animais produzem sons únicos e singulares. E o estudo desse repertório sonoro permite identificar as espécies e descrever a variação geográfica delas por meio da mudança do som que elas fazem de um lugar para outro”, explica Cohn-Haft.

Diferenças genéticas – O uirapuru de algumas partes da Amazônia, por exemplo, não canta igual aos outros integrantes de sua espécie que podem ser encontrados em outros lugares da região. O que caracteriza uma variação de som de indivíduos da mesma espécie que, segundo o pesquisador, tem duas possíveis explicações.

A primeira é que nesses diferentes pontos da região amazônica o pesquisador, em trabalho de campo, pode ter amostrado apenas uma parte do repertório de sons dos pássaros que, na verdade, podem fazer os mesmos sons em qualquer lugar, induzindo o observador a concluir erroneamente que isso representa uma variação geográfica da espécie. “É como se ao ouvirmos pessoas dizendo “bom-dia” em lugar e “boa-noite” em outro, concluíssemos que elas falam idiomas diferentes. Mas se passássemos mais tempo, pelo menos um dia e uma noite, nesses dois lugares, descobriríamos que elas falam as duas frases em ambas as partes”, explica o pesquisador.

A segunda hipótese é que o som emitido por uma população desta ave em um determinado ponto da Amazônia é, de fato, diferente do produzido por indivíduos da mesma espécie localizados em outros locais da região amazônica. O que está dando origem à outra grande descoberta. “Estamos descobrindo que, quando há uma diferença de som de um local para outro de uma população da mesma espécie, também há uma diferença genética. O animal é outro”, revela Cohn-Haft.

Na avaliação do especialista, o estudo do som está se tornando uma ferramenta útil e barata para reconhecer diferenças genéticas em populações de animais. E, em função dessa projeção, está sendo aplicado no estudo de identificação de diversas novas espécies de animais. “A bioacústica tem um potencial muito grande e já é muito explorada em outras partes do mundo. Hoje em dia tem gente trabalhando com sons de quelônios – tartarugas – em florestas, além de anuros – sapos – e até insetos. E nós estamos trabalhando pesado com isso em aves”, conta.

Música da floresta - Segundo Cohn-Haft, o som exerce um papel crucial de comunicação para os animais. Eles o utilizam para enviar mensagens a outro indivíduo, normalmente da mesma espécie. Mas ao contrário do que imagina um observador humano desatento que, ao se embrenhar em uma mata ouve uma proliferação de barulhos produzidos por diversos animais e acredita que são aleatórios, os sons da floresta têm uma ordem e estrutura próprias.

“Os animais têm cuidado para escolher o momento, a freqüência, o timbre - se agudo ou grave - e a repetitividade do som, para não perder o esforço e desperdiçar a energia para se comunicar. Porque o objetivo é que o som seja ouvido por alguém”, diz.

O pesquisador compara os sons da floresta a uma orquestra, em que os animais, tal como os músicos instrumentistas, executam partes e fazem vozes específicas que se completam, formando uma sinfonia. “Não é cacofonia, uma barulheira só. Tem uma ordem. E o resultado a gente só percebe que é muito bonito”, avalia o especialista, ressaltando que não foi por acaso que grandes compositores criaram obras baseadas nos sons dos animais, como o maestro brasileiro Carlos Gomes, que compôs “O canto do uirapuru”.

Nicho sonoro – O tipo de ambiente, conta o pesquisador, também afeta o som produzido pelos animais. Em ambientes de floresta densa, o timbre de voz deles tende a ser mais grave para o som se propagar melhor no meio da vegetação. Já em ambientes de mata aberta ou nas próprias copas das árvores, a propagação do som não sofre a interferência da vegetação, e os barulhos produzidos pelos animais podem ser de ondas curtas - mais agudo. Com base nisso, as alterações ambientais promovidas pelo homem, como o desmatamento, podem afetar em curto prazo o sucesso de comunicação sonora dos animais e, em longo prazo, a sobrevivência de organismos já adaptados ao ambiente que sofreu mudanças.

Da mesma forma que existe um conceito de nicho ecológico, em que uma floresta é dividida em partes onde cada espécie desempenha uma determinada função em seu habitat , nela também há nichos sonoros. Essas características de timbre, horário, repetitividade dos sons e a escolha do momento em que o pássaro canta são maneiras de evitar que sua voz suma em meio a outros barulhos e dividir o ambiente acústico, garantindo que seu som seja ouvido.

Mas o que exatamente cada animal quer comunicar com seus vários sons é outro assunto, que também já está sendo objeto de pesquisa. “Que eles querem ser ouvidos quando vocalizam e que usam diferentes sons em diversos contextos, isso nós já sabemos. Mas o que estão dizendo um para o outro, só estamos começando a entender”, antecipa Cohn-Haft.

Serviço: A palestra “Os Sons da Floresta”, do biólogo Mario Cohn-Haft, foi realizada no próximo dia 14 de julho, às 10h30, durante a 61ª Reunião Anual da SBPC. O evento, cujo tema é “Amazônia: Ciência e Cultura”, será realizado a partir do dia 12 em Manaus (AM), no campus da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). www.sbpcnet.org.br/manaus







 
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