As pontes originais de Jundiahy

 

Quem tenta vislumbrar um pouco dos quase 400 anos do Centro Histórico de Jundiahy não pode deixar de considerar suas cinco pontes mais antigas. 

São elas a ponte da Estrada de São João, sobre o rio Jundiaí; a ponte da Estrada Velha de São Paulo de Piratininga, sobre o rio Guapeva; a ponte da Estrada das Minas Gerais, sobre o rio Jundiaí; a ponte da Estrada da Vila de Itu, demolida no córrego do Mato; e a ponte da Estrada Velha de Nossa Senhora da Conceição das Campinas, também sobre o rio Jundiaí.

No conjunto, o único caminho que não precisava de pontes era a Estrada de Pirapora.

Porque as pontes - O centro histórico de Jundiahy, referência da vila colonial documentada em 1655 pelo então reino de Portugal, é uma colina atravessada sucessivamente por antigos caminhos que esclarecem não apenas sua ocupação inicial, mas também o desenvolvimento de sua expansão além-rios ao longo dos séculos. É um fenômeno estrutural, mesmo que tenha se tornado “invisível” na percepção de muitos moradores pelas mudanças urbanas, tendo as pontes como elemento essencial.

Caminho seco – O peabiru indígena usado como primeiro acesso no século 17 foi a Estrada de Pirapora, com ponto de saída e chegada no Largo Santa Cruz (atual praça da Bandeira), contornando os brejos depois aterrados para formar o bairro do Vianelo pela rua Baronesa do Japi e rua Bom Jesus de Pirapora. Mas recebeu esse nome apenas no século 18, depois do surgimento da narrativa que deu origem ao santuário caipira. Antes deve ter sido conhecido pela ligação com a vila de Sant´Anna do Parnaíba.

Ao longo de seu trajeto surgiram pontos de parada e abastecimento que formaram o núcleo de bairros como a Vila Rami e trechos rurais na Serra do Japi que receberam nomes locais como Estrada de Santa Clara ou Estrada do Paiol Velho, infelizmente renomeadas como avenidas.

Apesar de chamado de caminho seco, seu trecho de chegada contornava o brejo e a várzea do rio Guapeva depois aterrados para originar o bairro do Vianelo. Nesses locais ficavam campos de futebol de times como Vasquinho ou São Cristóvão, por onde passaram lendas do esporte local como Dalmo Gaspar ou Mário Milani.

A ponte de São João – A origem dessa ponte sobre o rio Jundiaí está meio esquecida mas é a ligação do século 18 entre as vilas de Nossa Senhora do Desterro de Jundiahy e São João de Atibaya. Essa Estrada de São João segue pela rua Dr. Torres Neves, o Viaduto São João Batista e a avenida São João, com chegada e saída pelo Largo São José.

Ao longo de seu trajeto aconteceu o mesmo fenômeno de pontos de parada e abastecimento ainda em paisagens rurais. A povoação italiana, entretanto, começou em 1888 bem distante do centro com o Núcleo Colonial Barão de Jundiaí (atual Colônia).

A ponte de Itu - Uma das mais antigas foi a ponte demolida sobre o córrego do Mato, saindo do Largo Santa Cruz no século 17 e seguindo pelo início da rua do Retiro como parte da antiga Estrada de Itu.

Também foi um eixo repleto de núcleos de parada e abastecimento de tropas de cavalos e bois, formando bairros antigos e recentes (como os surgidos no antigo latifúndio dos Chaves) e distritos como Itupeva ou Cabreúva. Mas a partir de 1948 sua lógica foi reduzida com o surgimento da rodovia Anhanguera, que “afastou” a serra do centro e transferiu o protagonismo de sua rota para a avenida Jundiaí.  

A ponte das Minas Gerais – Outra das pontes originais também atendeu no século 18 a ligação da vila com a zona da mineração. A Estrada das Minas Gerais tem ponto de chegada e saída no Largo do Chafariz, passando pela rua Abolição e avenida Itatiba até a ponte sobre o rio Jundiaí. Nesse trecho central, teve ainda um posto de cobrança de impostos de Portugal que causou o o nome popular de Barreira.

Seu trajeto sinuoso tornou-se mais conhecido como Estrada de Itatiba e, atualmente, como rodovia Constâncio Cintra. O caminho foi cruzado pelos trilhos da Companhia Paulista e depois da Sorocabana (atual avenida União dos Ferroviários). Por esse motivo, a última passagem de pedestres remanescente sobre os trilhos é um patrimônio histórico informal.

A ponte "nova" para São Paulo – Uma outra ponte original, sobre o rio Guapeva, faz parte da chamada Estrada Velha de São Paulo. Seu ponto de chegada e saída é o Largo São José, seguindo pela avenida Dr. Cavalcanti e rua Bartolomeu Lourenço.    

Seus pontos de parada e abastecimento de viajantes e tropas de cavalos ou bois também criaram núcleos ao longo dos seus trechos depois transformados da rua Olavo Guimarães, na rua Emile Pilon, na avenida Brasil e na rodovia Tancredo Neves.  E, com a industrialização iniciada no século 19, ganhou outras pontes vizinhas como a histórica Ponte Torta, de 1888, e outras nas ruas Prudente de Moraes e XV de Novembro.

A ponte para Campinas – E outra das cinco pontes entre as seis estradas originais ficou conhecida no século 18 como a estrada para Nossa Senhora da Conceição das Campinas do Mato Grosso de Jundiahy, ou apenas Estrada Velha de Campinas. Se considerado como ponto de chegada e saída o Largo São José, seguia pelas atuais rua Marechal Deodoro da Fonseca, rua dos Bandeirantes e o trecho final da avenida Antonio Segre.

Ao longo de seu trajeto também surgiram diversos núcleos de parada e abastecimento de moradores e de tropas de cavalos ou bois, inclusive aqueles que originaram Louveira e Vinhedo. A área rural mais próxima ao centro, entretanto, foi ocupada apenas no século 20 – tendo sido transformada na virada do século 20 em zona de árvores plantadas (hortos) para substituir a devastação florestal por lenha da ferrovia, ainda antes da eletricidade.

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Por essas estradas antigas é possível entender praticamente todo o crescimento dos bairros da cidade, antes da criação desregulada de bairros isolados por iniciativas particulares. 

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Caminhos internos – As pontes antigas direcionam o olhar para esses caminhos e, assim, pelos lugares e tempos do Centro Histórico. O Largo Santa Cruz, o Largo São José, o Largo do Chafariz, a Barreira e a Ponte de Campinas mostram funções temporais ao lado das estradas.

Na topografia da colina entre os rios, os caminhos internos mais suaves ganham também seus destaques como o Caminho da Palha (entre o Largo do Chafariz e a Argos, na atual rua Prudente) ou a Rua Torta (entre a Ponte Torta e o Largo Santa Cruz estendendo-se pela rua Zacarias de Goes e depois ampliado até o Largo do Cemitério pela rua Anchieta).

Ao centro, na parte mais alta com os atalhos para essas outras áreas, a primeira vila com o Largo da Matriz, o Largo do Pelourinho, o Largo São Bento, o Largo da Cadeia Velha, o Largo das Rosas, o Largo dos Andradas e a Esplanada Monte Castelo. E por fim as ocupações em torno como o Largo São Jorge, a Bela Vista e a expansão para as áreas mais baixas nas regiões da  Companhia Paulista, da Barreira, do Largo do Cemitério, da Ponte de Campinas e da Argos.

 


 
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