NOTÍCIAS DE JUNDIAHY, CENTRO HISTÓRICO ENTRE RIOS

05 de outubro de 2017


 Jundiaí está citada na obra Destruction of Brazilian Slavery

 

No livro “The Destruction of Brazilian Slavery 1850-1888”, o autor Robert Conrad cita Jundiaí para citar a estimativa de 500 mil escravos no cultivo paulista do café em 1883, apenas cinco anos antes da abolição, feita a partir da cidade pelo jornalista do London Times e correspondente do South American Journal. A publicação do livro, na década de setenta, é da Universidade da Califórnia.

Os trilhos para os trens até Santos já haviam chegado, inclusive com uso em parte dessa mão de obra, mas os imigrantes italianos ainda não.

A citação foi descoberta ao acaso por José Arnaldo de Oliveira, do site Jundiahy.

Por mais de 250 anos a escravidão, nem sempre violenta, fez parte da vida da cidade que é uma das mais antigas do Estado de São Paulo. E, naturalmente, é também parte do Brasil que foi o último país das Américas a acabar com esse tipo de prática vergonhosa.

O fato da cidade ter sediado um dos primeiros núcleos coloniais de imigrantes italianos (e de ter liderado essa política no governo estadual, então província) ajudou a apagar um pouco essa longa história iniciada com os escravos indígenas e depois com os escravos africanos. Atualmente, a narrativa de elite usa exatamente o fato de ser uma das cidades paulistas com maior número de descendentes de italianos.

Mas a história escravista não é motivo de vergonha, justamente pelos episódios onde muitas pessoas e grupos atuaram pelos valores humanitários e que ainda precisam ser detalhados. A data do registro de 1883 feito pelo correspondente em Jundiaí, por exemplo (que também aparece nos arquivos do New York Times em matéria sobre o absurdo da lei que garantia liberdade aos bebês no “ventre livre” mas continuava mantendo escravos os seus pais) já tinha muitos ex-escravos livres e atuantes há um bom tempo, embora as terras do café tenham sido um dos últimos lugares a adotar o trabalho assalariado – mesmo também sem muitos direitos em seu início.

Pouco tempo depois, em 1897, surgia também dessa mesma luta o Clube Beneficente e Recreativo 28 de Setembro, que acaba de comemorar seus 120 anos em Jundiaí.

Imagine-se o que temos de histórias amorosas ou libertárias sobre os índios (os “negros da terra”) capturados ou integrados desde 1615 ou com as crianças africanas trazidas pelo tráfico de escravos a partir dos anos 1700, muitas ganhando o status de pessoas livres a partir das riquezas descobertas nas Minas.

Sempre houve colaboradores contra o escravismo e a discriminação. Um pedaço da cidade que ficou conhecido como quilombo, hoje parte de Itupeva, ficou tão forte no século 18 que o pesquisador Mário Mazzuia copiou ata da Câmara Municipal que autorizava o pagamento ao capitão do mato contratado com sua tropa na capital para reprimir o mesmo e comprovar o trabalho expondo cabeças dos líderes em estacas na estrada velha de São Paulo.

O uso de atitudes tão fortes mostrava que havia há muito tempo apoio popular contra a escravidão. Para Roberto Franco Bueno, por exemplo, mesmo em famílias dominantes havia divergências. “A Baronesa do Japi era considerada uma defensora dos escravos”, comenta. Mas pesquisas sobre líderes das comunidades afro-brasileiras ainda precisam ser feitas.  

Mesmo o Carnaval não pode ser entendido na cidade sem essa linha do tempo. Surgido no século 20 a partir de entrudos portugueses e europeus e ritmos de origem africana, teve o samba paulista gerado nos anos 1800 pelo intercâmbio musical promovido pelo encontro de escravos de diversas partes no chamado “barracão dos negros” onde passavam a noite durante as festas em Pirapora do Bom Jesus.  

De acordo com avaliação do site Jundiahy, é preciso fortalecer arquivos, pesquisas, referências e novos produtos criativos sobre esses 400 anos. E isso pode exigir até envolver acervos de outras cidades e países.  



28 de janeiro de 2017


Lojas 100 preserva casa oitocentista em Jundiaí


Uma casa do século XIX, ainda com paredes de taipa (que era a técnica vigente até a chegada dos tijolos com os ferroviários ingleses e os imigrantes italianos), forma um contraste com os prédios ao redor no número 484 da rua do Rosário.


A importância desse imóvel para a comunidade, com fachada antiga e parede interna de taipa conservada, mereceu a visita em dezembro de 2016 de um grupo técnico do Conselho Municipal do Patrimônio Artístico e Cultural (Compac), com aprovação dos cuidados tomados pelas Lojas CEM para sua conservação.


Esse parte do imóvel centenário, na verdade, está localizado ao fundo do estabelecimento comercial que pretende fazer reformas na fachada aberta ao público, no número 915 da rua Barão de Jundiaí.



Entre 2011 e 2012 um empreendimento anterior, a Habitare Casa, reconstruiu o imóvel antigo da rua Barão onde funcionou por muito tempo o tradicional Ao Barulho de Jundiaí (que mudou-se para a rua Senador Fonseca) anexando o imóvel dessa casa oitocentista da rua do Rosário.


Foi um alerta dado na imprensa pelo jornalista e sociólogo José Arnaldo de Oliveira, com a fotógrafa Tatiane Silvestroni e colaboração do arquiteto Eduardo Carlos Pereira que fez os empreendedores revisarem o projeto para manterem esse patrimônio.


Para a rede de lojas CEM, originária de um pequeno estabelecimento criado em 1952 na cidade de Salto, a adaptação ao local rendeu em dezembro, de acordo com informações de mercado, uma pontuação entre as dez principais unidades entre mais de 240 lojas no país.


A reforma da fachada da rua Barão de Jundiaí, 915, foi autorizada pelo conselho municipal do patrimônio com a recomendação de diretrizes a serem utilizadas, pois sua altura já respeita a vizinhança com outro imponente imóvel histórico na mesma rua (941), que foi a antiga Câmara e Fórum de Jundiaí na esquina com a rua Coronel Leme da Fonseca e atualmente é usado pelo Banco do Brasil, que o adquiriu da antiga Nossa Caixa.


Quanto ao pedaço restante do imóvel histórico com fachada preservada no número 484 da rua do Rosário, a própria empresa poderia aproveitar esse ativo simbólico com um apoio inteligente de comunicação para indicar o acesso pela rua Barão de Jundiaí com uma placa institucional onde informe que ajudar a preservar esse patrimônio, orientando um público mais informado a conhecer a loja circulando o quarteirão. Bom para a comunidade, bom para os negócios.


O contraste entre a fachada antiga e os prédios do entorno, visto durante um fim de tarde, oferece uma grande beleza visual e cognitiva. Se forem necessários mais detalhes sobre a data original do imóvel, um pouco mais de pesquisa histórica e arquitetônica pode colaborar. Mas o panorama é suficientemente forte para oferecer bônus também à iniciativa privada. A própria Lojas CEM é patrocinadora do DVD “Monumentos Históricos – São Paulo”, coordenado por Ivete Gonzales.


Mas isso já ocorre em diversos outros casos em Jundiaí. Um deles é o belíssimo sobrado da antiga Kalaf no Largo da Matriz, que foi premiado no concurso de melhor decoração natalina do Sindicato do Comércio para a Rosana Joias, por exemplo.


O Centro Histórico de Jundiaí possui leis de incentivo como o Polígono do Patrimônio Histórico ou a Zona de Reabilitação Central, definidas no Plano Diretor, e a atuação do Conselho do Patrimônio Cultural, em iniciativas como o debate sobre o tombamento da área do Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico (IAC), em pauta no próximo dia 7 de fevereiro. Além de setores públicos como o Departamento do Patrimônio Histórico que passou a ser coordenado por William Paixão e já estuda o reconhecimento da coxinha de queijo (criada por José Dalbin na Casa de Massas Padroeira) e o cumprimento tradicional do “ó” como manifestações culturais locais.


Os reforços para essa tendência de valorização da história da cidade pelos moradorese pelos empresários, entretanto, é uma tarefa de toda a comunidade.


José Arnaldo de Oliveira

do portal Jundiahy






14 de dezembro de 2016

361º aniversário do reconhecimento da vila em Portugal



Ponte de Campinas: a última fábrica

A última fábrica da história industrial e operária do século 20 desse centro entre rios, a Correias Universal, foi desmontada no final de 2016. Até esse ano ainda era possível ver algumas operárias e operários circulando entre o Sesão e o Jardim Botânico. Uma minúscula vila operária ainda resiste, ao lado da Ateal. A fábrica mudou-se para Várzea Paulista.

Além do Sesão e do Botânico, a área inclui outros pontos como o Sesc, a Pão D´Oro, a Praça São Lázaro (onde existiu uma placa em homenagem aos jundiaienses que lutaram na Guerra do Paraguai), o Ponto Verde (praça atualmente cedida à Ateal) além de feira orgânica e ciclofaixa.



Argos: a volta dos pássaros

O aumento de presença de aves no trecho do rio Guapeva entre as ruas Vigário e Prudente, na temporada de verão, coincide com o anúncio de tombamento do remanescente da antiga fábrica da Argos pelo Conselho Estadual de Defesa do Patrimônio (Condephaat), conservando o desenho do conjunto incluindo a chaminé, o jardim e o velho teatro restaurado recentemente.

Além do Complexo Argos, que abriga a Biblioteca e o Criju, a área inclui outros pontos como a Vila Argos Velha e a Vila Argos Nova, o Clube do Carro Antigo, a Casa de Madeira, uma Ocupação Cultural (Ocupa Colaborativa) e a Esquina da Picanha, além de varejão noturno.



Largo do Pelourinho: maquiagem gradativa

Depois da primeira destruição das casas coloniais, do antigo beco e da igreja dos pretos na década de 1920 para dar lugar ao prolongamento da rua e ao quartel militar, a história é repetida quase cem anos depois com a segunda destruição dos traços do antigo quartel e das últimas casinhas e a colocação de palmeiras típicas de fachada de condomínio. O projeto de construção de torres ali está em análise na Prefeitura, esbarrando na situaçaõ de entorno do patrimônio tombado do Gabinete de Leitura.

Além do terreno do antigo quartel e do largo original, a área abriga fachadas de referência como a abóboda de influência oriental da antiga Ducal e também uma hospedaria de imigrantes do século XIX no atual Hotel Rosário. A praça inteira, entretanto, é um chão de sepultamentos muito antigos.E o Gabinete de Leitura “forma” eixo cultural com lojas da Engenheiero Monlevade.


Largo das Rosas: um símbolo para a crise

As referências da saúde local continuam nessa área depois de cem anos. O Hospital de Caridade São Vicente de Paulo passou a ser um ponto de apoio até para pessoas de outras cidades e estados, mas continua dependendo de recursos locais. O Fratellanza Italiana (depois Casa de Saúde) virou Hospital Regional, mantido com recursos estaduais mas ainda bem abaixo da demanda e também ligado a outras cidades. Suas fachadas antigas são voltadas para a praça Dom Pedro II, restaurada.

A área mantém ainda outros símbolos de inspiração para a solidariedade, como os bustos de Antonio Frederico Ozanam na praça de mesmo nome e de Dom Abade, referência para o trabalho da Casa da Criança.



Largo São Bento: corais na capela de 350 anos

No domingo (18) acontece a partir das 16 horas a apresentação de canto natalino no Mosteiro de São Bento, com o coral de mesmo nome. O objetivo é levantar fundos para os restauros no local, que tem origem no século 17 e um altar-mor da mesma época vindo do trabalho com indígenas da então missão jesuítica do atual bairro paulistano de Pinheiros. A colaboração sugerida é de R$ 10.

Além do mosteiro, a área abriga a sede central do Clube Jundiaiense e as duas praças (uma em frente e outra atrás) além de uma vista panorâmica para as oficinas da Companhia Paulista, na ponta da ladeira que sai em frente ao mosteiro e que foi subida pelos operários na primeira greve do Brasil em 1906. Outra atração do local são os importados do Casarão, antiga fábrica de vinhos Traldi (hoje supermercado) e a rua Jorge Zolner, que homenageia o soldado morto em 1932.



Barreira: inovação no velho viaduto

Uma contrapartida de impacto de vizinhança levou a inovações que estão sendo terminadas no viaduto Joaquim Candelário de Freitas, acima dos trilhos ferroviários, com implantação de verde e sombreadores na parte de pedestres. Com o fechamento de algumas passagens antigas sobre os trilhos, por questões de segurança, o local concentrou o acesso de moradores a pé.

A área, que tem esse nome por uma cobrança de impostos coloniais na estrada das Minas que ajudou até a recuperação de Lisboa depois do terremoto do século XVIII, abriga também um pequeno polo de bares e escola de samba, além de associações tradicionais como o Clube Rio Branco que na noite do sábado (17) recebe um baile de veteranos com a banda Marvellous.



Largo da Matriz: tradições da época

Moradores e artistas apresentam diariamente no Solar do Barão, sede do Museu Histórico e Cultural, uma tradicional exposição de presépios que inclui até mesmo uma montagem em protesto ao acidente socioambiental de Mariana (MG), feita pelo professor Alex Roch. A praça em frente também conta com tufos de neve artificial na bela fachada antiga da Rosana Joias e postes com enfeites decorativos.

Também estão nessa área curiosidades como a pipoca do Cine Marabá (que não existe mais, mas a bomboniére segue funcionando), os pasteis do centenário Dadá, a simpatia da Padaria Central, o original hamburguer do Mirim Dog e muitas fachadas bonitas como da casa 484 da rua do Rosário, do século XVIII ou XIX, que era os fundos da Habitare e agora das Lojas Cem. A rua Barão era a rua Direita e a rua do Rosário era rua dos Antunes.



Largo Santa Cruz: vida na cultura DJ

Referência do histórico Passeio Ecológico à Serra do Japi, que em 1978 marcou a luta pela proteção desse tesouro ambiental saindo dali, a praça da Bandeira recebe no sábado (17) das 14 às 20 horas o evento “Cultura DJ” com entrada gratuita. O projeto visa ocupar espaços públicos valorizando a discotecagem ao vivo e conta com Adriano HP (black), Puppa Nasty (soundsystem) e Captain Wander (colors) sob as grandes árvores da praça.

Também estão nessa área o Clube 28, o mais antigo clube negro em atividade do Estado, e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, transferida do Largo do Pelourinho em 1922. O lugar teve ainda o primeiro bebedouro público da cidade, com água vinda da serra.



Bela Vista: polo cultural sobre antigo lago

O pequeno lago do córrego do Mato, lembrado pelos moradores veteranos pelos passeios de barco na infância, virou um polo cultural no fim da rua Raquel Carderelli. Ali estão a praça Arnaldo Levada, com a Banca do Feijão, o Koh Samui (agora com vinil nas quartas e música nas quintas), o Villa Music Bar do outro lado do córrego e o Bertelli.

A área tem ligação pedestre com a parte alta e seus mirantes pela escadaria (agora parcialmente fechada) que sai na rua Bernardino de Campos, a antiga Travessa Imperial, direto para o Lago da Matriz. Também estão por ali o Las Muchachas e as lembranças do Zeppelin, do Melody e do ateliê do Nei além da memória das passeatas contra o tampamento do córrego há poucos anos.



Largo da Cadeia Velha: a origem da Terra da Uva

A região do fórum, que em tempos coloniais também abrigava a cadeia, também é a referência urbana da fama de Jundiaí como terra da uva por ter abrigado a primeira festa, em 1934, causada pelo surgimento da variedade Niagara Rosada que tem origem aqui. O Mercado Municipal, que então abrigou o evento (com parte industrial na Escola Conde do Parnaíba, na frente), virou na década de 1980 o Centro das Artes fechado desde 2013 para reforma. A rainha da edição de 2016 da festa será escolhida na noite de quinta (15) no Teatro Polytheama.

A área abriga também outras referências como a loja Guisah Artesanato, que neste ano perdeu sua sócia Márcia Pilon que foi quase um símbolo do Centro das Artes na década de 1980. Também estão ali o busto de Eloy Chaves em frente a Previdência, a Casa de Letras e Artes na rua de baixo (Rangel) e o Gremio CP, que na sexta (16) tem baile dançante de veteranos com a banda Starlight.


Estrada de Pirapora: uma “nova” avenida

A provável estrada originária de Jundiahy, aproveitando um anterior peabiru do povos indígenas, terá seu limite nesse centro histórico entre rios marcado em 2017 por uma “nova” avenida de ligação com a avenida Nove de Julho. Para reduzir o impacto de enormes torres liberadas no lugar da Vigorelli, uma remodelação da rua Dora Franco está em andamento desde o final da rua 13 de Maio até o acesso em frente ao antigo auditório da fábrica, junto à Nove de Julho. As tradicionais romarias a Pirapora, já expulsas há alguns anos pelos carros, definitivamente não voltam a circular nesse trecho.

A área, que inclui trechos da rua Bom Jesus de Pirapora e Baronesa do Japi e paralelas, tem pontos como as lojas de açaí ou de sorvetes do cerrado ao lado do Anchieta, a escultura na fachada do ateliê de Elvio Santiago, o espírito recente do Bloco do Loki ou o corte transversal da rua Marcílio Dias com ladeira, escada e visão do muro do antigo quartel que deveria abrigar sua continuidade até o Largo do Pelourinho.



Largo dos Andradas: posto policial reforça tradições

A sensação de segurança aumentou muito na área com a instalação do posto da PM no antigo prédio do Posto de Puericultura da década de 1950, na praça que dá nome ao largo, e trouxe mais segurança para o ambiente em torno onde estão tradições como a Escola Luiz Rosa (que completa o centenário em 2017) ou a Escola Marcos Gasparian (que completou 60 anos).

A área abrigou ou abriga também pontos alternativos como o restaurante vegetariano Vida Natural, as lojas Slits e Rockets, o ponto de tatuagens Classic Tattoo e outros. Em uma das pontas da praça está o final do “túnel verde” da rua Anchieta, que resistiu ao avanço das mudanças das décadas recentes.


Largo do Cemitério: para lembrar da palavra saudade

O sepultamento de moradores nos mais diversos pontos do centro histórico foi organizado somente em 1860 com o surgimento do Cemitério Nossa Senhora do Desterro, popularmente conhecido como “da saudade” com todos os motivos para isso. Ainda hoje abriga ao lado o Velório Municipal, no lugar onde foi a estação de abastecimento de água e que oferece uma visão monumental pelo lado dos fundos, na rua Campos Salles. Também foi ali ao lado o primeiro estádio do Paulista.

A área abriga também pontos como a Panificadora Kelly, as casas ferroviárias remanescentes na Vila Torres Neves, as fachadas na rua Benjamin Constant, restaurantes como Bamboo entre outros e agora a vista da torre de um edifício comercial que obrigou a remodelação defensiva do trânsito no Jardim Brasil. Também está ao lado do corredor gastronômico da avenida Antonio Segre e da Vila Municipal, criada no século XX para servidores públicos.



Ponte Torta: monumento recebe bicicletada

Construída entre 1886 e 1888 com 50 mil tijolos, a Ponte Torta foi uma passagem sobre o rio Guapeva pensada para bondes a cavalo mas usada mesmo por pedestres que levavam comida a seus pais nas fábricas têxteis que surgiram na Vila Arens ou que vinham estudar no Centro. Virou nome de bebida, abrigou namoros e até virou história em quadrinhos sobre a luta contra sua demolição, cem anos depois. Restaurada, virou ponto de referência para moradores. No sábado (16), às 18h30, é ponto de partida da Bicicletada Jundiaí.

A área abriga uma loja de conveniência e está próxima de pontos tradicionais como o Mercadão ou o Natura ou inovadores como o Bikoffe. Anualmente, recebe também a visita do bloco da Ponte Torta. A avenida Paula Penteado, antiga Rua Torta, liga o monumento até a escadaria onde a rua termina (antes de seguir como rua Zacarias de Goes).



Estrada de São João: vinis e livros em oferta

Na estrada de São João (atual rua Dr Torres Neves), que tem esse nome original por ligar Jundiahy a São João de Atibaia no século XVII, acontece uma grande oferta de 10% para vinil, 20% para livros e revistas e 30% para CDs e DVDs no Sebo Jundiaí, do professor Maurício Ferreira, conhecido pelo maior acervo de imagens antigas da cidade divulgado nas redes sociais. O espaço está no número 271 da rua.

A área, que guarda histórias como os grandes shows da Esportiva, a parada de trens na estação central da Paulista (depois sob o viaduto, construído com doações em 1950) ou até descidas de rolimã, tem ainda atrações como o imponente conjunto arquitetônico da esquina com a rua Prudente onde está o atual Bar do Zé (ex-Patinhas) e lojas como o Pássaro Rasta.



Largo São Jorge: antiga escola é referência

Na esquina das ruas São Jorge e Boaventura Mendes Pereira um sobrado que abriga entidades como o Clube dos Surdos ou o Clube de Xadrez foi na década de 1940 a primeira sede da antiga escola Marcos Gasparian, depois também usada temporariamente pelo Clube 28 de Setembro antes de seguir para o Largo Santa Cruz. A escola foi criada ainda pela fábrica têxtil que funcionou na frente, onde hoje está o Extra (e antes o Jumbo, palco de eventos dos anos 80 como o Raio Laser, da Dumont). A vila de então estava cheia de bicas de água, que desapareceram de vez com a chegada de prédios recentes.

A área abriga outras atrações como o acesso para a rua do Retiro (antiga estrada para Itu), o bar Maria Cachaça na beira do córrego do Mato e esporadicamente a feira Le Chef a Pé.



Esplanada Monte Castelo: moradores superam vandalismo

O uso por moradores das rampas e mirantes surgidos depois da reforma recente da Esplanada Monte Castelo (Escadão) continua frequente, apesar de vândalos locais ou de outras cidades contra as fotos antigas impressas em cerâmica que orientam a vista panorâmica. O belvedere ou mirante surgiu na década de 1940 para orgulho da visão geral da zona industrial da Vila Arens e Ponte São João com montanhas ao fundo e beleza urbana em primeiro plano. Mas o Escadão, com 120 graus, é mais antigo e surgiu para facilitar o acesso ao Grupo Escolar Siqueira de Moraes (1897), o primeiro da cidade cujo centro acabava ali.E no sábado (17) tem Orquestra Municipal  de Jundiaí no Polytheama a partir das 20 horas com convidados - e entrada gratuita.

A área abrange atrações como a Pinacoteca Municipal, o Casarão do Projeto Guri, o Teatro Polytheama (este salvo por campanhas nos anos 70 e 80), o prédio principal da Câmara (de 1969, que aproveitou a topografia em orientação de Ariosto Mila), o prédio da Empresa de Força e Luz (que substituiu os lampiões a gás com uma barragem no rio Jundiaí no bairro do Quilombo, hoje em Itupeva) e a antiga Escola Industrial. Na Vigário, abaixo, diversos espaços culturais alternativos.



Largo São José: novidades na ausência do busto

A chegada à cidade pela Estrada Velha de São Paulo, atual avenida Dr Cavalcanti até a rua Bartolomeu Lourenço, era feita nos séculos 18 e 19 pelo Largo São José, ao lado da então rua do Comércio (Rangel) mas ainda antes de haver a rua Vigário. Com o tempo, ganhou ares de polo alternativo com o moderno acesso ao Largo da Matriz pela Galeria Bochino (antes era só pela rua de São José, depois parte do pioneiro calçadão nos anos 70) ganhando companhia de salões de cabelo em estilo black e a antiga igreja batista virando outra galeria. Mesmo com tudo isso, faz falta o busto do lendário médico Domingos Anastácio na praça que leva seu nome.

A área abrange também detalhes como uma quitanda na rua Rangel e uma casa de massas onde nasceu a coxinha de queijo, na rua da Padroeira, além da lembranças arrepiantes do século 18 como de cabeças quilombolas expostas na estrada velha depois da repressão, conforme registram documentos da Câmara . Também faz fundos com os jardins do Solar do Barão, em acesso atualmente não usado por decisões governamentais.



Companhia Paulista: visitas ainda emocionam

As oficinas da Companhia Paulista de Estradas de Ferro (Complexo Fepasa) são uma das grandes referências históricas da cidade e foram salvas da privatização por campanhas entre 1999 e 2002. Muitos ex-ferroviários se emocionam nas visitas ao local, que tem um museu, uma faculdade, um poupatempo, um centro de estudos para idosos e diversos outros serviços. Em 2016, uma ação recuperou telhas francesas do trecho mais destruído do complexo e um projeto geral, usando recursos gerados pelo uso de um grande terreno vazio vizinho, foi elaborado. As lembranças passam desde a pontualidade dos trens e de seus funcionários até a greve de 1906 ou a criação de coisas coimo o Paulista Futebol Clube, o Gabinete de Leitura, a Banda Paulista ou o Grêmio CP.

A área abriga também locais como a antiga fábrica de fósforos, a antiga estação central, a antiga estrada de ferro Sorocabana (atual avenida dos Ferroviários) e casas antigas na rua XV e Prudente e, do outro lado dos trilhos,na Vila Graf.



Largo do Chafariz

O antigo chafariz dos cavalos, que durou até o final do século 20, marcou a passagem para a estrada das Minas (hoje rua Abolição e avenida Itatiba, muito antes da ferrovia) e seu requício na praça Barão do Japy serve hoje para marcar o antigo Caminho da Palha ao longo de toda a rua Prudente de Moraes, desde a rua Jules Rimet (estreita e anterior aos carros) até as ruas da Vila Argos (algumas também estreitas e anteriores aos carros). Abriga no seu núcleo principal as choperias Palma e Chafariz, o restaurante alemão Uhlen Haus e espaços culturais como Bongô, Casarão e Escola Santa Felicidade. Também foi o berço da Orquestra Sinfônica Jovem nos anos 80, pela Escola de Música de Jundiaí. E neste mês pode receber seu primeiro “parklet” privado na frente do Ateliê Lelê da Cuca.

A área também abrange um grande conjunto de fachadas originais em vários estilos ao longo desse caminho, passando pelos acessos à rua dos Bandeirantes (antiga estrada da Boiada, onde estão o Ateliê Plano, o Botequim du Angelo, o Gravidade Zero) e do outro lado o Sororoca Skate Park. E do outro lado os acessos à Companhia Paulista, à Estrada de São João e à região da Argos. ,




O lado que Jundiahy não gosta de lembrar

Triste capítulo da nossa história. Esses sim pegavam pesado!
Anúncios publicados entre 1875 à 1877 no jornal A Província de SP que depois virou o famoso Estadão.
José de Q. Telles era filho do Barão de Jundiaí e suas várias fazendas ocupavam os territórios de Jundiaí, Itupeva e Indaiatuba.
Behlen de Jundihay era o antigo distrito conhecido hoje como Itatiba.
100$000 reis corresponde hoje a R$1.500,00.  
 (pesquisa por Eduardo Pontes)

   





O uso da história oral resgata "causos"

O livro “Pontes da Memória. História da Nossa Gente” é o resultado da oficina “História Oral e Turismo: valorização da cultura local”, promovida durante 2012, no Museu Histórico e Cultural de Jundiaí Solar do Barão.


Clique no link: PONTES DA MEMÓRIA





(e não deixe de ver a seção
CAUSOS)


O dia em que Jundiahy parou (20.06.2013)


Leia as crônicas de ativistas do movimento Voto Consciente Jundiaí sobre a passeata nascida nas margens do córrego do Mato, no centro histórico interfluvial Jundiahy, e que colocou a cidade entre as 320 informadas pela agência de comunicação federal que mobilizaram mais de 1 milhão de pessoas:


A Patrícia Anette descreve sua caminhada em Nós Não Somos o Gigante. Leia aqui

O Fábio Storari ironiza em sua divertida Anarquia Oh Ho. Leia aqui

O Henrique Parra Parra Filho questiona em Qual Será a Pauta em Jundiaí. Leia aqui



Conselho suspende demolição de imóvel histórico

Um casarão centenário no número 260 da rua Barão de Jundiaí, no Centro, conhecido popularmente como “casa rosa”, teve o pedido de demolição negado pelo Compac (Conselho Municipal de Patrimônio Cultural), que também aprovou a inclusão do imóvel no Ipacc (Inventário de Proteção do Patrimônio Artístico e Cultural de Jundiaí). A decisão publicada na Imprensa Oficial de sexta-feira (19) e exige que qualquer alteração seja precedida de aprovação pelo conselho.

Demolição do casarão, conhecido como “casa rosa”, está suspensa

“Consideramos o que já aconteceu como um crime”, afirma a secretária Daniela da Câmara Sutti, de Planejamento e Meio Ambiente, sobre o início da destruição do imóvel neste ano.

Em 12 de abril, o Compac solicitou um reforço de fiscalização por causa da denúncia de atividades clandestinas. Quatro dias depois, em 16 de abril, um fiscal visitou o local e constatou que havia apenas ocorrido uma limpeza do jardim com o corte de uma grande árvore. Mas no sábado, dia 20, a demolição foi iniciada de trás para a frente no terreno. Aos fins de semana, não há fiscalização. Os indícios foram enviados ao Ministério Público.

Embora o direito de propriedade esteja garantido, a abertura de um processo de tombamento suspende qualquer intervenção em um imóvel ou conjunto urbano, como vilas, durante a tramitação do processo. De acordo com a lei federal 9.605, de 1998 (também chamada Lei de Crimes Ambientais), a destruição de bens protegidos por lei pode acarretar pena de prisão.

“Além de estar no Polígono de Proteção do Patrimônio Histórico, que já exige que qualquer intervenção no imóvel tenha que ser avaliado pelo Compac, como previsto no anexo da lei 7857 (Plano Diretor Estratégico) e 7858 (Zoneamento e Uso do Solo), ambas aprovadas pela Câmara em 2012, o casarão também faz parte do entorno protegido do Teatro Polytheama, que é tombado”, explica o diretor da Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente, Décio Luiz Pinheiro Pradella.

Em frente à “casa rosa” outros dois casarões centenários estão em excelentes condições

A estimativa técnica do Compac é de que o casarão seja originário da passagem do século 19 e 20. No calendário anual feito pela entidade civil Soapha (Sociedade de Amigos do Patrimônio Histórico e Artístico), na edição deste ano, a imagem publicada por Isabella Feres Ferrano é identificada como a antiga casa da família Malpaga. Quase em frente ao imóvel, também na chamada área de entorno do Teatro Polytheama, outros casarões nos números 267 e 281 tiveram a continuidade de análise do processo de tombamento aprovada e apresentam boa qualidade de conservação.

Sem congelamento

As intervenções no Polígono de Proteção do Patrimônio Histórico, que exigem a aprovação do conselho, contam com projetos de reformas que tramitam com relativa rapidez pelo colegiado que envolve representantes do poder público e da sociedade civil. As autorizações mais recentes foram para uma reforma no número 311 da rua Barão de Jundiaí e no número 757 da rua Rangel Pestana, mantendo as características de fachada e volumetria dos imóveis, e para uma troca de telhado no número 312 da rua do Rosário, com recomendação de materiais similares ao original.

“Um tombamento não tem nada parecido com congelar, mas com orientar. Temos exemplos muito avançados de convivência de referências da história com projetos contemporâneos, é uma questão de critérios”, diz Daniela.

A área do Polígono, assim como as áreas de entorno de bens tombados como o Teatro Polytheama, o Solar do Barão e as Oficinas da Companhia Paulista, entre outras, podem ser vistas no anexo 5 da Lei 7.857 (Plano Diretor)

Os processos isolados do IPACC (Inventário de Proteção do Patrimônio Artístico e Cultural de Jundiaí), por outro lado, são mais distribuídos por diversos bairros e seguem em análise pelo conselho. Todas as alterações em imóveis na cidade devem, de acordo com a legislação, ser autorizadas e precedidas de consultas à prefeitura.

Por José Arnaldo de Oliveira
Fotos: Paulo Grégio


VEJA TAMBÉM A PÁGINA DO CONSELHO DO PATRIMÔNIO NO FACEBOOK: https://www.facebook.com/compacjundiai?fref=ts






DIVAGAÇÃO

Nasci em Jundiahy

Ao lado da Serra do Japi

Fiz muitos amigos por lá

Que nunca pararam de cantar

 

Cantam na conversa banal

Cantam cuidando do quintal

Cantam olhando o por do sol

Cantam até o rock´n roll

 

Nasci em Jundiahy

Ao lado da Serra do Japi

Fiz muitos amigos por lá

Que nunca pararam de cantar

 

Cantam contra os abusos

Cantam até com parafusos

Cantam fazendo carinho

Cantam por mais um pouquinho

 

Nasci em Jundiahy

Ao lado da Serra do Japi

Fiz muitos amigos por lá

Que nunca pararam de cantar

 

Cantam o samba e o black

Cantam pagando com cheque

Cantam nas praças e bares

Cantam as paisagens lunares

 

Nasci em Jundiahy

Ao lado da Serra do Japi

Fiz muitos amigos por lá

Que nunca pararam de cantar

 

Cantam até que venha a morte

Cantam no azar ou na sorte

Cantam nas ruas antigas

Cantam nos becos das vilas

 

Nasci em Jundiahy

Ao lado da Serra do Japi

Fiz muitos amigos por lá

Que nunca pararam de cantar

 

Cantam em sítios e fazendas

Cantam seus mitos e lendas

Cantam bem devagarinho

Cantam fazendo carinho

 

Nasci em Jundiahy

Ao lado da Serra do Japi

Fiz muitos amigos por lá

Que nunca pararam de cantar 


O Festa Cacilds, um movimento cultural surgido em Jundiahy na virada de 2010, invadiu o elevado Costa e Silva (Minhocão), em São Paulo, no dia 7 de abril de 2013 dentro da programação do festival Baixo Centro. Na foto, preparativos para shows como do Corrosivo 420 e Marakbeça, entre outras atrações de Jundiahy e região levadas ao evento. Para ver mais, visite o perfil do grupo no Facebook em Festa Cacilds

Aliás, uma ótima inspiração para um festival desse tipo em Jundiahy: olhem só o site do evento em Festival Baixo Centro


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O LIVRO DE JUNDIAHY

Como fazer um livro hipertextual? Seria necessário cruzar cada lugar deste mapa interfluvial com os temas que formam a vida - história do lugar e de seus moradores, seu meio ambiente, sua arte e cultura, sua paisagem, seus processos criativos (arquitetura, moda, linguagem, artes, festas como carnaval ou da uva, etc.), e ao mesmo tempo poder olhar o mesmo tema nos vários lugares. Seria preciso olhar as ruas (com seus vários nomes ao longo do tempo) com o olhar do pedestre e do ciclista, não do carro que a tudo domina. Seria preciso descobrir que povos indígenas viveram aqui há 400 anos e todos os outros, dos povos africanos e orientais aos europeus e americanos. E sempre que possível uma pequena janela com foto, vídeo ou mapa. E, claro, links em algumas palavras. Como fazer isso ser agradável para crianças e idosos participarem de sua construção permanente? São as grandes questões para 2013. 

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HAPPENING DO ANIVERSÁRIO DE JUNDIAHY
14 de Dezembro de 2012
17h concentração no Largo do Quartel e no Largo do Fórum
18h caminhada para encontro no Largo da Matriz
(venha como achar melhor para colaborar na celebração, com fantasia ou de você mesmo)

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MUDANÇAS DE COMPORTAMENTO

A paisagem do centro histórico interfluvial de Jundiahy ainda preserva muitas construções e até mesmo espaços urbanos vazios há 400 anos, como a área frontal à fachada do século XIX da Companhia Paulista de Estradas de Ferro (do outro lado dos trilhos, até a margem do rio Jundiaí). Ou seja, continua sendo uma cidade no sentido histórico do termo, com praças, esculturas, árvores, museus, casas, crenças, artes, festas, escolas, hospitais, restaurantes, causos, amores, pedestres, ciclistas, skatistas, cadeirantes, jovens, idosos, bentevis, maritacas, urubus, cemitérios, padarias, lojas de discos, marchas civis, festejos carnavalescos... Mas logo não vai ter mais o panorama avistado pelos moradores indígenas que batizaram a colina com o nome de "Jundiá Hy", ou seja, cercada de águas onde viviam os jundiás, bagres que dizem saborosos.

Na área da Chácara Urbana, onde tudo era da família Rappa (como contou certa vez o pintor Inos Corradin, que teve neles um tipo de mecenas), avançam prédios vindo do córrego do Mato pela Ladeira Tomanik. Diversos deles escalaram também a Bela Vista, o Largo do 28, o Largo São Jorge e a Ladeira Tomanik. Também existem alguns em diversos dos demais largos e ladeiras.

Não é apenas o efeito na paisagem, que pode "roubar" a vista da Serra do Japi até de bairros inteiros, que faz refletir a respeito desse assunto. Há poucos dias (em 30/11/2012) o jornal BOM DIA Jundiaí publicou uma reportagem sobre a estimativa de jundiaienses vivendo em condomínios fechados, na maioria verticais. Era de 120 mil pessoas, segundo o Proempi (com uma taxa média de 3,5 pessoas por unidade), ou um terço dos moradores atuais da cidade.

Nunca morei em um condomínio e posso ter falhas em minha observação. Mas a segurança gerada por guardas privados é obtida através de uma segregação espacial. É a arquitetura do medo. Um preço que se paga, nesse terço, para a almejada tranquilidade. Mas seus efeitos tendem a um circuito segregado do lazer em shoppings, do ensino em qualquer privada, de um novo tipo de relações endogâmicas.

Mas sejam casas, apartamentos ou barracos o que existem são pessoas, que devem pensar juntas na cidade em que vivem. Quanto mais anômica for a comunidade, mais a pressão de poucos especuladores imobiliários vai definir o futuro da paisagem de Jundiahy. Para tirar do baú: poxa, mas esse lugar é tão bonito... Olha abaixo.

PARA OLHAR EM 1908....

jundiahy_1908_detalhe




























PARA OLHAR EM TORNO DE 1895

jundiahy_cia_paulista








A legenda é "Jundiaí em 1908. Vista parcial da cidade no início do século 20.Veja mais fotos antigas do interior do Estado de São Paulo aqui"

parece em primeira análise a fachada da Companhia Paulista de Estradas de Ferro (obviamente voltada para os trilhos), com grandes vazios na região da Vila Peixoto, do Largo das Rosas e até no Largo do Chafariz, sem falar do Largo da Liberdade e da Vila Graff, áreas de drenagem do rio Jundiaí. Aliás, será que essa mata é algum tipo de "mata ciliar", pequena floresta que geralmente cresce junto às águas?


SE QUISER CONTINUAR NOS VISUAIS, PASSEIE AQUI PELO MUSEU DE RUA e TAMBÉM PELO FOT SEBOJUNDIAÍ E ATÉ NA  NATUREZA URBANA ou ENTÃO NO CALENDÁRIO DA FOTO SOAPHA



CONHEÇA O DEBATE DA LEI DA SERRA DO JAPI

(consultas públicas de 29 de março a 19 de abril de 2012. O processo voltou ao começo com a mudança de governo municipal e deve ter uma nova rodada. Entre os motivos comentados, o projeto final não teria contemplado todos os aspectos da questão da serra)

 José Arnaldo de Oliveira, cientista social e jornalista

 

A legislação atual que será revisada é a lei 417, promulgada em 17 de dezembro de 2004 pelo prefeito Miguel Haddad (PSDB) em sua segunda gestão no cargo. Como é uma lei municipal, vale apenas em Jundiaí, que abriga 48% da área total da serra (o restante está em Cabreúva, Cajamar e Pirapora do Bom Jesus). Mas essa mesma lei municipal acrescentou ao território da serra em Jundiaí uma parte do entorno do perímetro tombado, que são três zonas de amortecimento (Ermida, Malota e Terra Nova). Parte da área serrana e de seus corredores ecológicos, entretanto, seguem com regras urbanas. Oito anos depois dessa lei, vale a pena dedicar algum tempo para esse esforço de atualização que será conduzido pelo prefeito Pedro Bigardi (PCdoB), que tomou posse em janeiro de 2013. 

 

INDICADORES QUE DEVEM SER USADOS, SEGUNDO A LEI (Anexo 3)

1)      Levantamento anual de áreas incorporadas ao patrimônio público na Reserva Biológica

A administração municipal não manteve nesse período uma data específica para o balanço anual. A Rebio (Reserva Biológica) ocupa apenas 7% da área jundiaiense da Serra do Japi e deve ser visto agora o percentual alcançado de regularização fundiária. O número vai ser importante porque a lei define que não haverá expansão da Rebio antes de completar-se a desapropriação da área atual, dificultada por falhas de documentação antiga em cartórios. O mais adequado seria computar o percentual em 2004 (promulgação da lei) e 2012.

2)      Relatórios trimestrais do número de estudos científicos e monitoramento na Rebio

A base ecológica é um centro de pesquisas mantido em parceria da administração municipal com o instituto de biologia da Unicamp. Embora previstos em lei, tais relatórios não foram divulgados publicamente e, ainda mais grave, o acervo das pesquisas não está disponibilizado para o público em geral.

3)      Relatórios trimestrais do número de pessoas autorizadas ao acesso na Rebio

Também sem a devida divulgação periódica nos últimos oito anos, é a base para o debate sobre a substituição do grupo de monitores de trilhas, criado pela própria administração municipal, por uma empresa terceirizada como anunciado na imprensa.

4)      Relatórios trimestrais de perturbações de atividades realizadas na Rebio

Idem.

5)      Relatórios trimestrais de evidências de pressões na Rebio e Zona de Preservação

Idem.

6)      Relatórios mensais (número, perfil,  demandas) no Programa de Visitação Monitorada

Idem.

7)      Relatórios trimestrais de compreensão de visitantes e avaliação do Programa

Idem.

8)      Levantamento anual espacializado de atividades e pressões na Serra do Japi

O debate sobre a revisão da lei ficaria bem mais fácil com o cumprimento dessa exigência, além de evitar os ¡°chutes¡± do governo e da oposição durante um ano eleitoral. E poderia já estar funcionando em escala ecossistêmica, abrangendo Jundiaí, Cabreúva, Cajamar e Pirapora do Bom Jesus.

9)      Levantamento anual de áreas de recuperação e RPPNs de ações licenciadas

Outra tarefa prevista que não foi cumprida, pelo menos com divulgação pública. A citação na lei da figura da RPPN (Reserva Particular de Patrimônio Natural), por sua vez, mostra que houve completa ausência de políticas voltadas para o estímulo a esse tipo de unidade de conservação, complementar à Rebio.

10)   Relatórios trimestrais espacializados do tráfego de veículos nas estradas

Outra tarefa descumprida, no lado público, apesar do aumento de bloqueio no acesso a cachoeiras e do acompanhamento de motos e carros. Os dados não foram espacializados em um mapa de acesso ao debate comunitário.

Há oito anos, a lei também decretou cada estrada municipal no interior do território como sendo ¡°estrada parque¡±, devendo ganhar estudos específicos de acordo com cada trecho. Onde estão?

Conclusão: o anexo 3, assim como outras partes da lei,  foi solenemente ignorado pelos órgãos do sistema de gestão da Serra do Japi, incluindo a administração municipal e o próprio conselho gestor.

 

CAPÍTULO 6 ¨C DA AVALIAÇÃO e  INDICADORES

Área da Rebio incorporada ao patrimônio público (levantamento anual),  número de estudos científicos (relatório semestral da ¡°administração¡±), número de pessoas autorizadas a acesso (relatório trimestral),  registro de perturbações (trimensal com pesquisadores),  perfil dos visitantes (mensal da administração do Programa de Visitação Monitorada), experiência dos visitantes (permanente), número e tipo de atividades espacializadas (levantamento anual), áreas de restauração ou RPPNs espacializadas (anual), aumento de tráfego espacializado (trimestral).

 

 

O QUE DIZ A LEGISLAÇÃO

O SISTEMA de Proteção das Áreas da Serra do Japi é definido com território, conselho consultivo, destacamento florestal subordinado à Guarda Municipal e secretaria coadjuvante de meio ambiente junto ao Planejamento.

O TERRITÓRIO é formado pela  Rebio (Reserva Biológica, com 7% da área), Zona de Preservação/Restauração (área tombada) e Zonas de Conservação/Amortecimento de Ermida, Malota e Terra Nova.

AS DIRETRIZES dizem que

1)      Todas as estradas municipais são ¡°estradas parque¡±, com características

2)      Cercas devem permitir a circulação de animais

3)      Separação de áreas ocupadas das silvestres e não bosqueamento

4)      TAC com o Conselho para usos desconformes

 

REBIO (artigo 4º)

Expansão apenas depois da regularização fundiária

Plano de manejo quadrienal, com corredores ecológicos para outras áreas verdes urbanas, rurais e de outros municípios, estudos para chegada a terras de menor altitude, estrutura administrativa para a reserva (integrando base e destacamento e visando participação de comunidades locais), acervo de pesquisas, aplicação anual de 50% da Taxa de Compensação Ambiental da lei 341, de 2002.

 

ZONA DE PRESERVAÇÃO/RESTAURAÇÃO (inclui a área tombada por Aziz Ab´Saber em 1983)

Módulo de parcelamento de 20 hectares (200 mil m²), cobertura vegetal de 80%, A ocupação varia de 5% (imóveis já existentes até 3,9 ha) a 1,4% (na faixa de 12 a 20 ha). 

Usos não residenciais e não agrosilvopastoris a partir de 40 hectares (400 mil m²) ou o dobro em grandes propriedades, em um chamado MUS (módulo de utilização sustentável) com 70% de manutenção ou recuperação de mata nativa. Outros 10% ficariam para ¡°recuperação ambiental¡± e os restantes 20% mudam para fração de Zona de Conservação. Tem gabarito de dois pavimentos e aproveitamento de 2%.

Os usos previstos são de pesquisa científica, pesquisa para fins comerciais, ecoturísticas, de hospedagem, de recreação e lazer com educação ambiental, clínicas de repouso e similares. O licenciamento inclui leis como o Código Florestal (em mudança) e o Decreto de Tombamento, entre outras. E exige pontos como a recuperação das ¡°estradas parque¡± e a proibição de abertura de novas estradas.

São proibidos loteamentos, casas noturnas, restaurantes ou grandes eventos.

 

ZONA DE CONSERVAÇÃO/AMORTECIMENTO (no entorno parcial)

Módulo de parcelamento de 2 hectares (20 mil m²), cobertura vegetal de apenas 60%, A ocupação é de 10%.

Usos não residenciais e não agrosilvopastoris a partir de 2 hectares (20 mil m²) ou o dobro em grandes propriedades, em um chamado MUS (módulo de utilização sustentável) com 50% de manutenção ou recuperação de mata nativa (incluindo APP). Outros 10% ficariam para ¡°recuperação ambiental¡± e os restantes 40% mudam para fração de conservação ambiental. Tem gabarito de dois pavimentos e aproveitamento de 10% para ocupação.

Os usos são os mesmos previstos para a categoria  anterior.

 

 

 

DETALHES

Os limites possuem a exceção legal de terem projetos maiores sendo analisados pelos conselhos e pela secretaria operacional da lei.

Outra exceção é a possibilidade de concentrar módulos menores em divisões de áreas superiores a 5 hectares (50 mil m²) se a conservação remanescente de áreas verdes for beneficiada, como propôs um projeto na Fazenda do Conde há pouco tempo mas suspenso depois de exigência de laudo científico pela gestão anterior do Comdema ¨C Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente.  (artigo 11)

A densidade, curiosamente, é de 6 habitantes por hectare nas áreas de Ermida, Terra Nova e Malota ¡°comprometidas¡± com o uso residencial. Depois passa para 8 habitantes por hectare nas mesmas áreas, porém nas reservas legais e outras áreas verdes. E baixa para 4 dentro da área de preservação (tombada).

O mapa da lei ainda tem desenhado o loteamento da Ermida, projetado por Antonio Panizza e Nivaldo Calegari para mansões campestres nos anos 80 e até hoje uma situação constrangedora para a definição do território.

Nenhuma estrada nova pode ser aberta na Zona de Conservação. Boa.

Estudos específicos para cada uma das zonas de conservação ambiental e para cada tipo de ¡°estrada parque¡± do território. Onde estão eles nesses oito anos?

Conselho tem 10 representantes de ¡°proprietários¡± (município, estado e particulares) e 6 da comunidade, sendo três de profissões liberais e apenas três de entidades civis. As reuniões podem ser feitas com 2/3 (ou seja, 10).

¡°acompanhar o licenciamento de atividades no território, inclusive sobre as ações pretendidas pela Administração Municipal, quando por esta solicitado¡±, é a principal missão definida para o conselho.

 

 

O PERIGO

Art. 24 - Esta Lei Complementar não se aplica aos projetos já protocolados

junto à Prefeitura do Município de Jundiaí até a data de sua promulgação. A análise dos

referidos projetos e de suas eventuais alterações continuará sendo feito de acordo com a

legislação vigente no momento do protocolo inicial.

(Foi por causa deste artigo que o atual responsável pela administração municipal, Miguel Haddad, antecipou-se à revisão e enviou para a Câmara o projeto de congelamento de empreendimentos em todo o território municipal da Serra do Japi por até cinco anos).

 

 

AS PROPOSTAS EM JOGO

Uma proposta da Frente de Defesa da APA de Jundiaí quer garantir que o índice de área verde prevista nas zonas de conservação da Ermida, Malota e Terra Nova passem de 50% para 80%. Com a demora dos estudos que a lei 417 previa com quadrianuais para a expansão da Rebio rumo a terras mais baixas (embasada em dados científicos), merece atenção.

Outra proposta circulando sobre esse mesmo foco é que a área verde de mata nativa ou de recuperação seja apenas de 50% e, mesmo que seja ainda mais reduzida, pode ser negociada na administração e conselho gestor com a destinação de áreas de preservação em outra parte do território. Essa merece um grande alerta.  

Além das sempre perigosas pressões de bastidores, como a discussão entre o setor de mineração (calcário, água mineral, areia e argila) e a administração, há propostas para aumentar o poder de licenciamento da Secretaria Municipal de Planejamento e Meio Ambiente de forma complementar aos outros órgãos estaduais e federais.  

Também de parte dos proprietários dos 93% de áreas particulares na serra com ameaças de processar o Município no caso de regras que impeçam alguns usos econômicos que considerem sustentáveis. A isso está ligado também a proposta de cortar a parte da lei que define que ¡°as estradas municipais existentes no interior do território são classificadas como ¡°estradas©\parque¡± e serão objeto de projetos específicos, de acordo com a classificação de cada trecho...¡±.

Mesmo sem mudar a lei, fica a dúvida: a avenida Antonio Pincinato, no trecho entre a Sereno (Eloy Chaves) e a barraca de frutas Rondon (Medeiros), por ser a divisa do território, não é uma ¡°estrada parque¡± atualmente? A retirada desse ponto parece uma porteira aberta para a pavimentação de todas.

Uma proposta técnica quer colocar na lei a definição de que a Zona de Preservação e as  Zonas de Conservação sejam consideradas zonas de amortecimento da Reserva Biológica. Parece ser um reducionismo em relação à área tombada.

O licenciamento de novos projetos passará pelo Conselho Gestor e Comdema, independentemente de outros órgãos exigidos. Essa é uma medida aparentemente saudável, mas é preciso melhorar a capacidade de atuação da comunidade civil nesses processos e sua clareza para os interessados. Por exemplo, a ausência total de RPPNs pode ser resultado da falta de incentivo ou de políticas de apoio.

Nos empreendimentos já existentes e que fiquem desconformes com a lei, a atribuição de um TAC (Termo de Ajuste de Compromisso) para a continuação do funcionamento está prevista apenas para o Conselho Gestor e a administração municipal. Pela isonomia com o ponto anterior, deve ser incluído o Comdema.

A preocupação com resíduos orgânicos ou sólidos é um dos pontos altos das propostas colocadas para a lei da Serra do Japi.

Na Rebio, boa parte da lei presente em 2004 deve ser retirada para a oficialização do plano de manejo feito pela Ambiental Consulting em 2007. Mas é preciso ver se a instituição de uma estrutura administrativa na Rebio, integrando patrulha florestal, base ecológica e sistema de gestão, está totalmente contemplado no mesmo (assim como os corredores ecológicos ligando a reserva a outras áreas de mata nativa de toda a região).

Na Zona de Preservação (área tombada), o chamado ¡°módulo de uso sustentável¡± era definido em 40 hectares (ou 400 mil metros quadrados) mas ganha proposta de ¡°módulo mínimo de parcelamento¡± de 20 hectares (ou a metade da lei anterior) quando de frente para uma via oficial com largura mínima de 300 metros. Este é um ponto que está meio confuso para mim, porque se estiver assim mesmo permite uma espécie de operação imobiliária verde (ocupação de 2%) com fracionamento e venda de áreas.  As definições que estão na coluna de retiradas da lei atual, nesse trecho, são imensas.  Mas vamos verificar.

Na Zona de Conservação também há uma lista muito longa de tópicos da lei atual que uma proposta quer ver retirada. Um desses tópicos é ¡°Art. 15  ©\  Deverão serdesenvolvidos estudos específicos para cada uma das zonas de conservação ambiental e para cada tipo de ¡°estrada©\parque¡± do território de gestão da Serra do Japi, com o objetivo de identificação de outras oportunidades e alternativas de utilização adequada das propriedades, de acordo com os objetivos principais de conservação dos recursos naturais.  Parágrafo único  ©\ Enquanto os estudos, de que trata o ¡°caput¡±, não forem realizados e devidamente instituídos, os usos desses imóveis estarão restritos às condições gerais definidas para o conjunto das zonas de conservação ambiental¡±.

 

No capítulo 8 (da política ambiental do sistema de gestão), está sendo proposta a retirada do item IV, ¡° a educação preparatória, como complemento das estruturas participativas, deve integrar as ações de Gestão do Território¡±. Vale verificar o motivo e o substituto.




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Datas das consultas públicas:  Clique aqui


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Interfluvial forever (junho de 2011)


Na fachada do Casarão dos Telles uma placa metálica nos lembra do ano de 1915 em números romanos (MCMXV) para as atividade da escola paroquial com apoio da prefeitura de Jundiahy. O prédio é ainda mais antigo, pois era moradia antes disso. Com as lojas abertas até mais tarde, a noite de sexta-feira fazia lembrar que por uns 380 anos entre os séculos XVII e XX a vida urbana se concentrava ali.

Chamo a área de centro histórico interfluvial, porque é uma colina que tem em suas bordas as águas dos rios Jundiaí, Guapeva e Córrego do Mato. Aliás, os moradores antigos achariam engraçado chamarmos assim o nosso rio principal, porque na língua geral usada por uns 200 anos na cidade o termo é uma frase (Jundia + hy, ou seja, águas do jundiá que é o peixe da bandeira da cidade que ainda resiste na Serra do Japi e no rio Jundiaí-Mirim). Mais ou menos como falar “rio East River” ao misturar português e inglês.

Mas é importante ver que árvores foram plantadas na borda do rio Jundiaí, que um parque histórico-ambiental está sendo criado na borda do rio Guapeva e, apesar de toda a polêmica, algum paisagismo foi implantado na borda do córrego do Mato. Um próximo passo seria deixar de tratar tudo da mesma forma nesse coração histórico da cidade, afetado a cada casinha ou prédio derrubado sem critérios de memória ou identidade (para muitos a Pauliceia ainda é uma dor).

Digo que nem tudo é rua. A São Bento, a Torres Neves, a Antonio Segre, a Henrique Andrés, a Vigário Rodrigues, a Engenheiro Monlevade e outras ruas são ladeiras e assim podem ser ditas. A Abolição, a Bandeira, a Matriz, o Pelourinho (ou Ruy Barbosa), o São José, os Andradas, o São Bento, a Saúde e outras praças são largos, que é algo mais amplo. Parece nada, mas é realista com a paisagem.

Nas noites de sexta e sábado as pessoas redescobriam a área. E uma conversa trazia outras ideias. Um líder no setor de supermercados, Edvaldo Bronzzeri, contou que a cidade quase aprovou o uso de sacolinhas plásticas oxidegradáveis antes do alerta de que era um aditivo químico que causaria poluição invisível e fizesse a campanha “vamos tirar o planeta do sufoco” que virou caso brasileiro e internacional com um compromisso que nem precisou virar lei. E deu crédito ao prefeito Miguel Haddad pelo apoio.

Um participante do movimento por ciclovias, Nicholas Schiozer, mostrou que o rodízio seria pouco para lidar com o aumento da frota de carros que ocupam ruas, estacionamentos em imóveis demolidos e garagens em antigos quintais. Mas, pelo menos, aceitaria ciclofaixas nas ruas e avenidas e postos de integração de bicicletas e ônibus nos terminais. E cobrou mais apoio do prefeito aos ideias do movimento mundial das bicicletadas.

São duas gerações diferentes e haveria mais na conversa, se a família Cecatto não tivesse outros compromissos. Mas suas verduras estavam ali, com boa aparência depois de colhidas no dia anterior. Orgânicas, são produzidas em um pequeno vale do núcleo colonial dos italianos criado no final do século XIX. O convite foi do Paulo Dutra, educador ambiental que colabora com a Campanha da Fraternidade.

Tudo isso tem uma relação com a Jundiahy do centro histórico interfluvial. As compras já foram durante muitos anos realizadas com sacolas retornáveis. E as fábricas que atuavam nessa área e arredores tinham enormes bicicletários para esse meio de transporte. Pensar em reduzir o lixo e a poluição no consumo, no transporte ou na alimentação tem a ver também com não gerarmos lixo urbano com nosso patrimônio e história.

Como cantado em latim na impressionante Carmina Burana, regida por Vasti Atique com 75 vozes e mais orquestra no palco do Polytheama lotado, “ó, Fortuna/és como a Lua/variável/sempre aumentas/e diminuis/a vida detestável/ora escurece/ora clareia/por brincadeira a mente” (pena a legenda ao vivo tão pequena). Ao sair, as pessoas encontravam outras pelos largos e ladeiras de Jundiahy, que ainda tem as pequenas lojas ou eventos mais alternativos da cidade.   





JUNDIAHY AMEAÇADA POR NEGÓCIOS SELVAGENS


Sim, amigos, os negociantes selvagens já conseguiram destruir muitas partes da história e do ambiente. A Casa do Sal, onde pagavam o que seria o salário colonial, as casinhas do século 18 nas ruas Senador Fonseca e Zacarias de Goes, o casarão do antigo Lar Anália Franco (na rua Prudente), a lanchonete e restaurante à Paulicéia, a chaminé da cerâmica Irmãos Otero e muitas casinhas e casarões e chafarizes e vagões e bondes e locomotivas e muito mais. Sem uma cooperação para registrar a vontade dos moradores - e aí não apenas do centro interfluvial mas dos nativos ou radicados de toda a cidade - vai ser difícil manter a identidade dessa área.



2009
O PULSO DE JUNDIAHY AINDA PULSA

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A reação do público, formado por representantes de diversas gerações da melhor cultura alternativa de Jundiahy, consagrou o conjunto gaúcho Grupo Voz, surgido em Santa Maria (RS) e radicado na capital paulista, como a maior revelação do festival Canta Encanto 2009. O evento lotou o teatro Polytheama na noite de 02 de agosto e surpreendeu pela qualidade dos finalistas e pelo show do intervalo da votação com o titã Arnaldo Antunes - que teve diversos momentos postados no You Tube.

A chegada ao largo Monte Castelo, pelo escadão, anunciava uma noite especial. Uma coincidência fez chegarem ao mesmo tempo na portaria um Arnaldo e um Antunes - mas a assessora da Secretaria da Cultura, Fabiane Ibanez, pediu os ingressos assim mesmo. No palco, a jornalista Denise Oliveira vencia a timidez para apresentações seguras dos finalistas. Os acenos dos reencontros entre a galeria (lá em cima) e pessoas nas cadeiras da platéia (lá embaixo) marcavam o clima nos intervalos entre as músicas.

A canção de Nilson Chignolli, acompanhado por João Carlos de Luca, foi escolhida como a melhor representante da cidade. Embora iniciante, a banda Detruz também surpreendeu com sua performance inspirada em Nightwish. De outras cidades, vieram alguns formatos clássicos em festivais - como a estilização de ritmos populares ou as letras esticadas em notas para gogós de muita capacidade. Para os jurados, a melhor foi de Demétrius Lulo e Paula Mirhan, que levaram o prêmo de 6 mil reais que atraiu centenas de inscritos. O grupo que pareceu ter a reação mais vibrante do público, o Grupo Voz, ficou com o terceiro lugar.

O mais importante, contudo, é uma sensação de orgulho positivo dos funcionários envolvidos da Secretaria da Cultura. Em debate da série Jundiaí 2020, na imprensa local (no caso, o jornal Bom Dia), a coordenadora do setor Penha Camunhas Martins havia concordado com a conclusão de que deve ser mais profissionalizado. É a visão do músico Betho Silva, que foi semifinalista com a canção "Ela de Corpo ou Alma" e analisa uma troca dos músicos da banda no último momento como motivo do contratempo. "Eu havia apenas elogiado o evento para a equipe, dizendo que podíamos pensar em comparações com os festivais do Rogério Duprat quando estive no Rio, e eles incentivaram a inscrever uma canção na última hora".

O convidado Arnaldo Antunes também trouxe lições bacanas para o público especializado, como o fato do DJ no lugar do técnico de som, ao lado do iluminador e do videomaker como "integrantes" da banda. E olha que nem citou seu genial projeto para crianças, o Pequeno Cidadão... Com tudo isso, o festival Canta Encanto 2009 foi um marco importante para a vida cultural em Jundiahy. E ampliou o contraste das festas de nomes rurais que outrora também tinham esse papel.     

 

"TOMBAMENTOS" OPÕEM CONSERVAÇÃO E DESTRUIÇÃO

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O Gabinete de Leitura Ruy Barbosa, no largo do Quartel, anunciou em 21 de julho o processo de tombamento do prédio e dos mais de 45 mil livros incluindo registros raros da história local no CONDEPHAAT - Conselho Estadual do Patrimônio. Vale lembrar que esse termo significa preservação e vem dos tempos coloniais ondeo registro era feito na Torre do Tombo, em Lisboa. Essa biblioteca (foto à esquerda) foi criada há mais de 100 anos por ferroviários da Companhia Paulista e depende da colaboração dos associados. Mas continua havendo a grande ameaça do sentido oposto, onde o tombamento representa a própria destruição ocorrida em casos como da antiga caixa e cooperativa dos mesmos ferroviários, no alto da ladeira Siqueira (foto à direita).

O diretor de biblioteca da instituição, João Borin, é também de um dos grupos mais atuantes nesse debate - a Sociedade de Amigos do Patrimônio (SOAPHA), que está com inscrições abertas de fotos para seu novo calendário até 8 de agosto na loja Imagem da rua Onze de Junho, no largo do Fórum. Em entrevista para a jornalista Gláucia Mazzei, do jornal Bom Dia, afirmou que a próxima meta é o tombamento da estação da São Paulo Railway (atual CPTM), no antigo pólo têxtil do entorno de Jundiahy.

Na verdade, todo o centro histórico interfluvial precisa de uma política especial e de apoio para as empresas, profissionais liberais e moradores que estão lutando para manter ou restaurar o patrimônio urbano. A Prefeitura iniciou uma mudança no final de 2004, na revisão com a Câmara do Plano Diretor, implantada somente em 2008 mas restrita ao pequeno "polígono histórico" das ruas Barão (antiga Direita) e Rosário (antiga do Meio) entre os largos do Fórum e do Quartel. As fachadas foram redescobertas como um valor visual pela própria comunidade, ganhando apoio registrado recentemente pela jornalista Rebeca Ribeiro, do diário Jornal de Jundiaí.

O recurso ao conselho estadual é uma alternativa para a fragilidade do Conselho Municipal do Patrimônio (COMPAC), que surgiu há poucos anos depois de uma luta iniciada na década de 1980 pelo arquiteto Ariosto Mila, pelo museólogo Francisco de Matheo e pelo historiador Geraldo Tomanik - e testemunhada pelo atual secretário de planejamento Jaderson Spina. Porém nem mesmo o trabalho de um inventário preliminar realizado em 2007 impediu a destruição de lugares como a fábrica São Bento (século XIX), do restaurante e lanchonete A Paulicéia (século XIX) ou do antigo Lar Anália Franco (século XIX) entre outros. Essas perdas, entretanto, parecem ter alertado o governo e a comunidade, que neste ano teve seu primeiro processo de tombamento municipal encaminhado à Câmara para a sede da antiga Fazenda Ermida, com estudos feitos pela Fundação Antonio-Antonieta Cintra Gordinho. Pelo conselho estadual também são tombados o Solar do Barão, a Serra do Japi, a escola Conde do Parnaíba e o antigo grupo escolar Siqueira de Morais (atual Pinacoteca).

Jundiahy, como um centro histórico de limites naturais formados por riachos, é mais antiga que a maioria dos municípios reunidos no Fórum Nacional de Cidades Históricas Turísticas que agora em julho divulgou a Carta de Olinda. O portal Jundiahy defende a valorização dessa memória com placas criativas nos lugares públicos e privados (mesmo nos devastados pela insensibilidade) que permitam aos visitantes "viajarem no tempo" e também incentivos técnicos e fiscais para a restauração dos imóveis degradados, mesmo em casos de mudança de uso, e do meio ambiente por onde ainda passam espécies nativas da região. Tudo pelo significado adequado da palavra "tombamento".  



 CULTURA AFRO DE JUNDIAHY NO ENCONTRO DE TRANÇADEIRAS

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Repetimos a matéria porque o evento volta agora nos dias 13 de junho, acho.

Os salões de cabelos black da ladeira Torres Neves ou largo São José e o clube negro 28, do largo da Bandeira, subiram o rio Jundiai para o I Encontro de Trançadeiras que aconteceu em 19 de julho de 2009 no Espaço Cidadania, no hoje município de Várzea Paulista (antigo distrito Secundino Veiga). Centenas de pessoas estiveram presentes com profissionais da Grande São Paulo, do Rio e até do bloco Ilê-Ayê, de Salvador. Alguns trabalhos pareciam até pinturas (foto à direita), fazendo a alegria de praticantes locais (foto ao centro) e trazendo até mesmo novidades como as bonecas em latinhas e os lápis da linha Bonecas Negras, criada em Jundiahy (foto à direita). Muito samba-rock e percussão marcaram o encontro, que entre os anfitriões teve o prefeito local, Eduardo Pereira, dizendo que a igualdade deve ser sempre um dos objetivos da democracia. Do lado de fora, motoristas de carros antigos e até mesmo uma incrível moto "jogging" transformada em som ambulante marcaram a confraternização, apoiada por unidade móvel do SENAI. Literalmente uma beleza. 



JUNDIAHY AGORA DISPUTA O "SELO VERDE AZUL"

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                                          Fotos do córrego das Walquírias/Fórum Caxambu, março a julho de 2009

Estamos em julho de 2009. Dentro de quatro meses a  Secretaria Estadual do Meio Ambiente vai divulgar a nova tabela ambiental dos municípios que, apesar do patrimônio local, não certificou Jundiaí em 2008, entre os 44 municípios com pontuação centesimal acima de 80. Desta vez vai conseguir, com méritos.

De acordo com o portal do governo paulista, o certificado de "Município Verde" mudou agora para "Município Verde e Azul"  O motivo foi o evento realizado na Semana do Meio Ambiente do mês passado, na cidade de Bocaina, onde 300 prefeituras aderiram ao Pacto Mundial das Águas e demonstraram a importância da agenda azul para o meio ambiente paulista.

No vale do Jundiahy e na serra do Japi não houve municípios nesse encontro (apenas Itatiba, na região). A avaliação do certificado estadual será feita em dez grandes áreas, desde tratamento de esgoto e lixo até arborização urbana e educação ambiental.

O reconhecimento da agenda azul confirma ainda a revisão parcial dos métodos destrutivos sobre riachos, córregos e matas ciliares urbanas que foram praticados no projeto de drenagem urbana da Fundação Municipal de Ação Social, patrocinado pelo PAC (sigla de marketing dos investimentos do Governo Federal). O caso mais polêmico ocorreu em 2009 com o córrego das Walquírias (fotos), uma artéria líquida que liga (va) a Serra do Japi ao rio Jundiaí a jusante do centro histórico interfluvial. Existem indícios do mesmo processo na região do bairro Boa Vista e Vila Maringá, na borda da serra, em mata ciliar da microbacia do córrego Japi-Guaçu. E a continuidade do ciclo das avenidas em riachos precisa ser freada, tudo envolvendo soluções de permeabilidade e transporte.

Felizmente, em 2010, parece que isso melhorou com a exigência da Promotoria Pública de acertos listados em TACs (Termos de Ajuste de Compromisso). A sociedade civil, tanto em entidades e ONGs como em atitudes individuais, mostrou mais consciência e os políticos locais - de governo ou da oposição - estão atentos à opinião pública, desde que ela se manifeste. 

No centro histórico interfluvial de Jundiahy, além da reformulação do projeto do córrego do Mato (veja nota abaixo), a Prefeitura também tem  a oportunidade de planejar intervenções sustentáveis em áreas como o córrego da Fleischmann (entre o largo do Chafariz e o largo da Liberdade) e na várzea remanescente do rio Guapeva (entre o largo Monte Castelo e a Vila Graf) e o desafio de uma nova política municipal de recursos hídricos, em processo de debate na Câmara. Tudo isso é um desafio, pois envolve resistências econômicas como mostrou a Folha em 15/07/09 sobre a suspensão de licenças de desmatamento na Baixada Santista depois da descoberta de fraudes do DEPRN pela promotora Juliana Araújo.

A serra tombada como patrimônio natural e agora o jardim botânico municipal devem inspirar a comunidade, cuidando de cada local num "continuum" entre a cidade e seu ambiente. Jundiaí vem escalando sucessivos patamares de fortalecimento econômico e nada precisa impedir um equilíbrio semelhante em aspectos como a cultura e o meio ambiente.

Mas já existem até boatos de urubus alterando seu comportamento, atacando pombas (uma praga trazida pelos europeus, como os pardais) em áreas antigas do centro. São sintomas de que a biologia urbana precisa ser aperfeiçoada, inclusive por causa do ainda grande patrimônio histórico de Jundiahy. Veja mais em CAUSOS

Conheça também o Pacto das Águas e também o caso dos novos mirantes do Parque do Juquery, nos arredores de Jundiahy.




CÓRREGO DO MATO RECEBE NOVO PROJETO DE URBANIZAÇÃO

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A construção de dois bulevares sobre o córrego, nas margens da ladeira Tomanik e da ladeira do 28 (largo da Bandeira), devem ser os únicos pontos de cobertura desse ambiente de limite do centro histórico interfluvial de Jundiahy. O detalhe mostrado acima, parte de foto divulgada no portal da Prefeitura de Jundiaí, oferece um pedaço da proposta que inclui passagens suspensas nas laterais do córrego para pedestres e ciclistas, a ampliação de duas para três faixas de trânsito de cada lado com a redução da calçada de cinco para quatro metros de largura e a manutenção de faixa de grama.

O novo projeto, que integra o pacote do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento, nome publicitário dos investimentos do governo Lula) foi reformulado depois dos grandes protestos em 2008 contra o tampamento dessa jóia urbana, que tiveram até um enterro simbólico do mesmo no sábado de Aleluia de 2008, e desta vez ganhou a biodiversidade entre seus objetivos. Os detalhes deverão ser vistos pelo Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente, que abrigou muitos críticos do tratamento que a cidade sempre reservou para seus riachos urbanos, no segundo semestre. Mais sobre o projeto no portal da Prefeitura de Jundiaí.


PARTICIPAÇÃO TEM CONSULTA NA PREFEITURA E PLEBISCITO NA CÂMARA
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A democracia em Jundiahy vem tendo propostas em seu aspecto participativo. Na Prefeitura, um passo nesse sentido foi dado com a consulta on line em andamento na Secretaria Municipal de Finanças para o orçamento de 2010, que na edição do ano passado teve mais de quinhentos participantes. Mas a proposta mais elogiada em 7 de julho de 2009 por entidades como a OAB, a Cúria Diocesana e professores dos cursos de direito da Faculdade Anchieta e Faculdade Anhanguera é o projeto de lei apresentado pela oposição na Câmara para a regulamentação local dos plebiscitos, referendos e iniciativas populares.

Todos esses mecanismos somente poderiam ser usados em obras públicas ou privadas de grande impacto (social ou ambiental) e em casos como custos acima de 3% do orçamento municipal, ou cerca de R$ 30 milhões atualmente, ou com a assinatura de 5% do colégio eleitoral, ou cerca de mais de 13 mil eleitores. Nenhum desses mecanismos tira poderes dos representantes (Vereadores) e a diferença é que são usados antes do encaminhamento de algum tema de grande impacto (plebiscito), para confirmar alguma medida de grande impacto votada pela cidade (referendo) ou para apresentar uma proposta que tenha grande apoio popular para a votação pelos vereadores (iniciativa popular).

Saiba mais sobre o Plebiscito

Saiba mais sobre a Consulta Online



BANDA SÃO JOÃO BATISTA INAUGURA SUA NOVA SEDE

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A manhã de domingo, 28 de julho, marcou a inauguração da nova sede da Banda São João Batista em mais de meio século de serviços culturais para Jundiahy. Localizada na Vila Graf, bairro de transição entre o centro histórico interfluvial e o entorno da Ponte, o local tem espaços para ensaios, guarda de instrumentos e reuniões. O atual presidente da banda, Henrique Jahnel Crispim (também do Museu Histórico e Cultural), não deixou de lembrar o papel dos saudosos prefeito Pedro Fávaro e vereador Auçônio Tozetto na sede anterior da entidade, surgida em uma fase de diversas outras como Universal e União Brasileira em ciclo iniciado com a banda da Companhia Paulista, no início do século XX. Ele fez ainda um alerta nesse tema ao dizer que existe uma dependência da Prefeitura porque empresas e instituições estão esquecendo do papel desse tipo de cultura.

A professora de música Elaine Freitas, que tem uma filha de quinze anos entre os integrantes da banda, destacou a renovação da mesma e a breve escolinha que deve surgir no local. "Precisamos ampliar o circuito de apresentações e para isso precisamos despertar o interesse da comunidade", confirmou a secretária municipal de cultura, Penha Martins. Ao contrário do livro de Antonio Galdino, desta vez eram representantes do PSDB, PMDB e PV que estavam presentes, caso dos vereadores Ana Tonelli e Sílvio Ermani e o ex-prefeito Ary Fossen, mas nenhum do PT ou PCdoB. Se as disputas políticas ficassem apenas na qualidade de atos benéficos para os cidadãos, viva a pluralidade. Em tempo: a banda está tocando de tudo um pouco, sempre com muita disposição. Contatos em bandasaojoaobatista@bol.com.br


LIVRO RETOMA LUTA PELA PREVIDÊNCIA SURGIDA EM JUNDIAHY

            
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Em 22 de junho de 2009 o escritor Antonio Galdino, ex-vereador e ex-sindicalista no centro histórico que foi exilado durante a ditadura militar, lançou no auditório da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Jundiaí e Região o seu livro "Previdência em Debate". Antenado com o futuro, disse que em 2050 a proporção de trabalhadores ativos para cada aposentado acima de 65 anos pode chegar a três por um - mas isso não deve ser uma fatalidade ao sistema como apregoam os defensores do Estado mínimo de um lado e do Estado indutor de outro. Antes dos argumentos, ele lembra que tanto a violenta repressão da greve dos operários da Companhia Paulista em 1906  (morreram dois deles no largo do Fórum) como a criação da lei das aposentadorias pelo deputado local Eloy Chaves em 1923 ocorreram pelo mesmo motivo: não paralisar a exportação do café que era transportado pelos trens. A mudança na abordagem surgiu também pela pressão do movimento sindical da época e pelo surgimento do espectro da revolução russa durante a Primeira Guerra.

A então Jundiahy teve seu nome gravado nessa conquista brasileira, que está visivelmente abatida com golpes como o reajuste menor que o salário mínimo (com o rebaixamento do teto salarial) e a criação do fator previdenciário (que castiga aqueles que precisaram iniciar o trabalho com menos idade, o que significa a classe mais pobre que não tem tempo para se preparar para os melhores salários no mercado). Para Galdino, que já colaborou com partidos de esquerda, o peso muito maior das aposentadorias do funcionalismo do governo ou dos políticos é sempre esquecido por estes. Isso faz parte de um corporativismo que também envolve ossetores mais organizados da sociedade - sejam funcionários públicos, metalúrgicos, químicos, bancários e outros, de um lado, e aqueles que acreditam poder bancar a previdência privada, de outro.

"Chegou a hora de uma ação em defesa do poder aquisitivo de nossos vencimentos e de um mudança radical com a criação da Previdência Social Única que incorpore todos os trabalhadores do setor privado e do setor público, com profundidade e sustentabilidade, sem privilégios e injustiças", afirma ao lembrar que todos precisam se mobilizar pensando nas atuais e futuras gerações da comunidade e do país.

O livro é destinado a colaborar nessa grande luta do povo brasileiro abordando a história, as armadilhas legais mais recentes, a realidade do salário mínimo na previdência e no setor público, a Constituição, as tentativas de privatização no mundo e anexos com algumas leis e consensos do movimento nacional dos aposentados. Com esse trabalho, Antonio Galdino recoloca Jundiahy no centro do debate sobre os direitos econômicos conquistados no século XX (muitas vezes com sangue, suor e lágrimas) de uma forma sincera e recheada de informações sem os tabus de políticos comprometidos mais com o sistema de poder do que com o debate popular.

"Vai ser preciso repensar. Fui vereador na década de 1960 e havia uma sessão por semana. Hoje continuamos tendo a mesma sessão semanal e os custos da Câmara aumentaram tremendamente. O mesmo ocorre com outros setores de governo. Não é uma questão de reduzir o Estado, é de melhorar suas prioridades. A cada crise, voltam a falar do problema da Previdência com dados falsos. Sei que poderemos não ver o resultado completo dessa luta, mas não é apenas pela gente que estaremos buscando um sistema mais justo e sustentável".

Aplaudido e com fila de autógrafos como qualquer escritor, Galdino vive aos 75 anos o momento de passar sua visão e experiência para a frente. O evento foi prestigiado por políticos do PT e do PC do B como o vereador Durval Orlato e o deputado estadual Pedro Bigardi, mas curiosamente por nenhum representante do PSDB. Um sinal de que o debate sobre a Previdência segue dividindo posições partidárias no Brasil e na região. Alguns exemplares do livro ainda podem ser encontrados na sede da associação, na área da ladeira Torres Neves (XV de Novembro, 1336).

Observação: documentos antigos sobre a greve de 1906 podem ser encontrados no Gabinete de Leitura Ruy Barbosa (no largo do Quartel) ou no arquivo Edgard Leuenroth (na Universidade Estadual de Campinas).


 QUATRO A ZERO E AINDA COM CHORO

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Talvez Bob Dylan, Mozart e Miles Davis entendam o simbolismo da banda Quatro a Zero em seu concerto no coreto da praça Marechal Floriano Peixoto, no largo da Catedral, na manhã do dia 6 de junho de 2009. Em tempos de hipóteses de cercamento de praças com coretos antigos, foi uma verdadeira revolução.

Uma nova oportunidade para conhecer o incrível trabalho desses quatro rapazes do interior foi garantida no dia 20 de junho em um horário novo ¨C 11h30 ¨C do projeto da Secretaria Municipal de Cultura chamado ¡°Sabadão Cultural¡±. O nome pode ser um tanto enganador na conexão semântica com o mundo da tevê, mas a escolha da primeira atração não poderia ser mais inovadora. E em julho voltam para uma oficina gratuita de memórias do choro no Centro Jundiaiense de Cultura, no largo Monte Castelo.

A banda teve origem no curso de música popular da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), onde também passou o violeiro e professor Ivan Vilela, que no segundo semestre vai se apresentar no teatro Polytheama com a orquestra Villa-Lobos. A linguagem e estrutura dos regionais foi transposta para piano, guitarra, baixo elétrico e bateria, incluindo cornetas ocasionais, no que chamam de choro elétrico.

Premiada, a banda mostra um novo espírito de resistência do choro e da cultura do interior em seu novo disco, ¡°Porta Aberta¡±. Como não se emocionar ao lembrar esse tempo em que pessoas comuns, ao lado de grandes instrumentistas e compositores, iam delineando a música brasileira? O compositor Hugo Bratfisch, que em 1915 foi maestro da banda de Itatiba, é uma dessas relíquias escritas à mão e repassada ao grupo pelo violonista Nenê 7 Cordas, de Campinas.

Vale a pena lembrar que o disco teve o apoio direto da Secretaria Estadual de Cultura e da Prefeitura Municipal de Campinas, coerentes com a densidade da carreira e da proposta da banda. Um dos integrantes da banda, Daniel Muller, é irmão do cineasta Marcelo Muller com quem sonhávamos intervenções culturais no grupo Teatrando Arte de Rua. Não foi por menos que sua estréia em Jundiahy foi devolvendo a vida ao coreto da praça. O nome disso é atitude.  



PREFEITO ADOTA REUNIÕES COMUNITÁRIAS PARA OBRAS

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Em 25 de maio o prefeito Miguel Haddad (com o mapa nas mãos) esteve na sede do clube Rio Branco, na Barreira, para esclarecer a pavimentação das maioria das ruas aos moradores. Com dados precisos sobre as ruas envolvidas no projeto (implementado em junho) realizou uma apresentação bastante objetiva e teve o secretário de serviços, Walter Costa e Silva, esclarecendo as ruas adiadas por esperarem a construção de galerias de captação de águas pluviais que não entraram nas obras em andamento do PAC, convênio da Prefeitura com o Governo Federal refeito em alguns aspectos por críticas ambientais ao excesso de canalização de riachos urbanos. Confirmado no cargo pela vitória judicial de segunda instância em seis processos de cassação surgidos da campanha eleitoral de 2008, o prefeito afirmou que pretende realizar mais reuniões com a comunidade e atendeu perguntas como sobre segurança, dizendo que ampliou investimentos na Guarda Municipal e na integração com as polícias estaduais, e sobre a conservação das áreas verdes do entorno da Barreira e do centro interfluvial  Jundiahy, dizendo que os empreendimentos imobiliários na área entre a estrada de Itatiba e a rodovia João Cereser manterão um mínimo de 450 mil metros quadrados conservados. A SAB da Vila Rio Branco também encaminhou questões por escrito, devido ao tempo limitado do encontro organizado pelo vereador Antonio Carlos Pereira Neto, o Doca (PP), da base governista do PSDB e mais antigo vereador em atividade. Aparentemente, a demanda por mais participação da comunidade é um novo patamar aceito de formas variadas por governo e oposição.     


DEBATE MARCA NOVA LIGAÇÃO DE JUNDIAHY E PONTE SÃO JOÃO

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A proposta de desapropriações em uma parte antiga de Jundiahy, a Vila Graf, e também na outra margem do rio na Ponte São João, tornou tumultuada a reunião promovida pela Prefeitura com a comunidade em 4 de maio na sede do clube Estrela da Ponte. O  debate é a ligação da zona leste com as outras regiões da cidade. O projeto interfere na avenida dos Ferroviários entre as ruas Abolição e Engenheiro Monlevade, onde surgiriam duas rotatórias de fluxo, e tem aparentemente o mérito de preservar as características das ruas do declive norte do centro antigo com algumas mudanças de direção. A grande intervenção parece ser o túnel de mão dupla ao lado da estação histórica da Companhia Paulista.

Os problemas surgem do outro lado. Um quarteirão inteiro da Vila Graff, na rua Antonio Mendes Pereira (que teve seu nome trocado pelos secretários na apresentação, gerando protestos), seria desapropriado. Depois de outra rotatória sobre o rio Jundiaí, a avenida continuaria ao lado da indústria Pozzani e avançaria por um espaço verde proposto para o quarteirão da rua Aléssio Zomignani, entre as ruas Carlos Gomes e Dino, que também seria inteiramente desapropriado. Isso tudo para emendar esse eixo com a avenida marginal do córrego da Colônia, que atualmente funciona com mão dupla em sua margem esquerda. O mapa apresentado deixa claro que essa escolha também hipoteca para o futuro as casas de sua margem direita para desapropriação futura.

Uma avenida ligando diretamente o Jardim Pacaembu com as avenidas Antonio Frederico Ozanan (marginal do rio Jundiaí) e Ferroviários é o escopo geral da proposta. Mas tanto a Vila Graf como a Ponte São João  são bairros antigo, remontando ao século XIX, e seus moradores querem soluções para o trânsito tomadas com um mínimo de consenso. O atual viaduto, que continua ladeira Torres Neves, foi construído na década de 1950 com empréstimos de moradores ao governo do então prefeito Vasco Venchiarutti.

A Prefeitura chegou a especular a possibilidade de realocar famílias afetadas dentro da mesma vizinhança, e a existência de áreas verdes e ciclovias como partes do projeto (e até um possível parque linear no rio Jundiaí, entre a Agapeama e a Ponte). Muitos moradores chegaram a comentar a abertura de cancelas sobre os trilhos como alternativa, rejeitada pelo governo do PSDB e apoiada por propostas do PT. Em junho, a Prefeitura Municipal recebeu técnicos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para um empréstimo que viabiliza também novas pontes de acesso para a avenida dos Imigrantes, isolada por grandes condomínios nas ruas da margem oposta do rio aprovados pela falta de estudos de impacto de vizinhança nas leis da cidade, e outra mais distante de acesso e transposição do rio na região da Agapeama, que evitaria parte do excesso de tráfego na região central. O túnel de ligação entre as avenidas União dos Ferroviários e a marginal do córrego da Colônia permanece nos planos.

 

A BOLA NO RIO

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Praticamente todos os nossos centros esportivos públicos continuam tendo, em sua maioria, os campos de várzea. Nesse tipo de meio ambiente existe a possibilidade natural da bola fazer uma parábola errada e cair no rio. Contar com os gandulas externos é uma tradição dos tempos do equipamento improvisado no bambu. Logo, não entendo como não ocorrem encontros entre a Liga Jundiaiense de Futebol e as secretarias municipais de Cultura e de Meio Ambiente...

Sem contar a eliminação radical da mata ciliar, tirando o metro de largura que um tipo de código ambiental urbano de Jundiaí ainda deixava, vai impedir completamente essa possibilidade em um bom trecho abaixo do ponto onde o rio recebe o afluente córrego do Mato.

Meu olhar é de um cidadão nascido na Barreira, região do centro interfluvial onde o futebol começou  na região com a influência dos ingleses e a adesão dos afrobrasileiros libertos do regime escravo pelos salários da construção das ferrovias. O campo do Rio Branco, na várzea do entorno, brilha em minhas memórias de infância. E a bola no rio, agora, parece algo simbólico.

Um plano integrado de recuperação das várzeas, mesmo urbanizadas, talvez seja um ponto de vista necessário para os debates sobre um Plano de Desenvolvimento Integrado Regional com lançamento previsto para 07 de agosto com os prefeitos de Cabreúva, Cajamar, Campo Limpo, Jarinu, Jundiaí, Itatiba, Itupeva, Louveira, Morungaba e Várzea Paulista.

De acordo com as notas divulgadas pela Agência de Desenvolvimento de Jundiaí, que toca o processo em parceria com a unidade local do Sebrae, é necessária a ¡°participação popular¡±. Como são quatro eixos (cidadania, meio ambiente, integração regional e desenvolvimento econômico) me parece que os grupos culturais, ambientais, de moradores, sindicais, estudantis e outros podem aproveitar o momento para gerar boas idéias.

A questão, como no caso da Ação Consorciada da Serra do Japi (onde governos de alguns dos mesmos municípios juntam-se ao de Pirapora do Bom Jesus), é como será a participação no cenário de diversidade regional, econômica e política desse território, um enclave interiorano no centro da metrópole paulistano-campineira. Os mais empolgados no debate são, além dos políticos (e os caronas de fora), os empresários e os profissionais liberais. Por isso é preciso qualificar a participação dos cidadãos e cidadãs.

As telas de LCD nos ônibus e todos os equipamentos de registro audiovisual para produzir informações nos mesmos, por exemplo, são parte da estrutura mantida em Jundiaí em uma bolsa-governo de 950 reais mensais - orçamento de 1 bilhão de reais por famílias de quatro pessoas na ordem de 350 mil habitantes. Mais e melhor comunicação nisso. E talvez projetos integrados de cultura com editais, evitando que a produção dependa do voluntarismo deste ou daquele dirigente local ou regional que não tenha tempo de ver a bola no rio.   

A sugestão para as entidades da região de Jundiahy é se informarem sobre o andamento do processo do Fórum de Desenvolvimento Regional em http://www.adej.org.br  e informarem novos eventos aqui no site Jundiahy.

Se quiser ler a coluna das segundas-feiras de José Arnaldo de Oliveira, veja a seção de colunistas de http://www.redebomdia.com.br


UM FINAL DE SEMANA HISTÓRICO

O final de semana de 15 a 17 de maio de 2009 foi um marco na vida de Jundiaí. Um público que pode ter chegado a 70 mil pessoas ocupou as ruas, teatros, parques e eventos estimulado em grande parte pela proposta da virada cultural. Dois terços foram contados na Virada Cultural Paulista propriamente dita, realizada em teatros do Centro histórico e em um parque municipal no Anhangabaú com livre acesso. Mas houve ainda outras milhares de pessoas participando de eventos variados como a romaria de cavaleiros a Pirapora, a abertura da festa italiana da Colônia, uma festa menor, japonesa, no Retiro, e de capoeira, na Ponte. Houve sarau do grupo da Cultura Artística e outro foi adiado por motivos particulares. Sem falar nos bares, casas noturnas ou festas particulares. 

Essa convergência também aconteceu na mídia. A Rede Paulista transmitiu eventos, a TV Educativa mostrou o show gravado na semana anterior com Ivan Vilela e a Orquestra de Violas de Atibaia, a TV Globo mostrou Sepultura e Angra (agendados em Jundiahy) no Altas Horas, a tevê comunitária Japi mostrou o surpreendente talento e memória do cantor Nélio Vicente. Nas ruas, a rapaziada do rock ou do hip hop cumprimentava romeiros a cavalo pelas ruas. Eduardo Dussek brincava que sua carreira começou na San Remo. A banda Cachorro Grande cumprimentou a cidade pela oportunidade. Marcelo D2 pediu para que se mantenha o respeito. A orquestra de Benjamin Taubkin, DJ Evelyn e os músicos do Mawaca lembraram que a diversidade de ritmos é a essência do som.

O reforço da segurança pública e a civilidade dos eventos funcionou para o clima de tranquilidade coletiva. Agora é preciso descobrir como transformar essa energia positiva em cotidiana. Veja fragmentos de Inocentes e Fernandinho Beat Box no show de D2, registrados pelo público, no portal de vídeos:  http://www.youtube.com/user/jundiahyaudiovisual.   


INTERVENÇÃO PÚBLICA

Jundiahy é a área interfluvial entre os rios Jundiaí, Guapeva e do Mato, com uma grande colina no meio. É o centro histórico ampliado. Não sei o que nossos governantes e legisladores pensam, mas ando fascinado por um plano cicloviário em nossa cidade. Até por uma questão de segurança pública, como em Bogotá, mas também pelo valor do patrimônio envolvido.

Uma ciclovia que passe pela calçadão da rua Barão de Jundiaí, desça o escadão pelas curvas de nível, margeie o rio Guapeva onde sua várzea ainda tem mata e história. E que depois ocupe uma faixa lateral da antiga ferrovia da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, a partir do viaduto São João Batista. Isso permitiria a ligação direta com o SESC e o Jardim Botânico, de onde a ciclovia poderia bifurcar-se para o Parque da Cidade ou para a avenida Nove de Julho – esta, no córrego do Mato.

A vantagem desse plano é a existência de instituições como o Centro Paula Souza (Fatec), o Museu Ferroviário, a Associação dos Skatistas, o Museu Histórico (Solar), a Faculdade Pitágoras, o Complexo Argos, o Mercadão da Cidade, o Centro Esportivo Sororoca, a Associação de Preservação da Memória Ferroviária, o Museu da Energia, Os Monitores das Serra e outras no caminho. A maior vantagem, entretanto, está em que uma ciclovia é uma obra barata e sustentável. Se o acordo entre a prefeitura e as empresas de logística (como são MRV e ALL) não for definitivo, o custo vale mesmo para alguns anos.

É difícil pensar como um projeto público pode ser mais democrático, mas imagino que as famílias que ocupam casas da antiga ferrovia deveriam permanecer. Afinal, o ambiente não pode ser definido apenas por proprietários de terrenos especulativos. Estamos equivocados ao tratar como patrimônio somente o museu ou as oficinas ferroviárias. Trata-se de toda a sua extensão, pelo menos entre os rios Guapeva e Jundiaí.

Muitos turistas do trem gostariam da opção de alugar uma bicicleta para mergulhar na história da Paulista, verem dormentes do tempo do Horto Florestal, visitarem o museu e até o Jardim Botânico. Será que chegaram a conhecer o 360 graus do Pardal? Com todo respeito ao currículo do secretariado da prefeitura, esse assunto mereceria um concurso de projetos para ser um modelo. Seria por meio de edital, que poderia ser financiado pelas compensações ambientais do município (vejam como no site da Rede Brasileira de Fundos Socioambientais) ou fundos externos de modernização urbana.

Os túneis previstos para a região, imagino, não interferem no potencial da ciclovia. Essa idéia, de espírito comunitário e que exige apenas boa vontade de trabalhar, resultou de inquietações sobre assuntos como segurança e patrimônio (públicos, obviamente). Neste mês o time de futebol que surgiu da ferrovia completa 100 anos, como já aconteceu com o Grêmio CP e com o Gabinete de Leitura. Ah, tem outra bicicletada prevista para o final da tarde do dia 29. (Oliveira, José Arnaldo de - Coluna Semanal - Bom Dia Jundiaí, 04/05/09 - http://www.redebomdia.com.br)




TERRA ANCESTRAL
 

O desenvolvimento econômico, a justiça social e a proteção ambiental são uma mesma coisa na sustentabilidade. No caso de uma área com tantas histórias como Jundiahy (mas também valendo para a situação de cada lugar) o patrimônio material e imaterial estão presentes em todos os aspectos.

Esse olhar para uma parte de nossas raízes não pretende estar alienada do processo de uma megalópole paulista em formação. Pelo contrário, busca uma perspectiva menos óbvia. Nesse sentido as características socioambientais de um centro histórico interfluvial devem ser valorizadas - tanto quanto do município inteiro, do estado, do país, do continente e do mundo.

Afinal, em Jundiahy o pesquisador amador Francisco de Matheo encontrou vestígios de cemitérios indígenas no largo de São Bento. É uma terra ancestral da humanidade. 


VEJA TAMBÉM AS ENTIDADES DO CENTRO ATIVO



MÍDIA CONVENCIONAL


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Outras:

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