Rota do Centro Histórico é lançada com convite à comunidade


18 de agosto de 2017



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O valor potencial e intangível da área de 400 anos das colinas centrais de Jundiahy, envoltas pelas várzeas dos rios Jundiaí, Guapeva e do Mato, esteve no pano de fundo do lançamento da Rota Turística do Centro Histórico. O projeto foi desenvolvido pelo Departamento de Patrimônio e pelo Departamento de Turismo da Prefeitura de Jundiaí, com apoio de estudos do sítio eletrônico Jundiahy – Centro Histórico Interfluvial.

São 100 pontos visíveis para sinalização sugerida dentro da primeira fase, havendo a proposta de uma segunda fase com definição de placas com nomes atuais e antigos de ruas -  e de uma terceira fase com sinalização de pontos “invisíveis” (aqueles já demolidos, por exemplo).

O primeiro aspecto mais importante do projeto é deixar de tratar o patrimônio histórico, cultural e ambiental apenas como uma questão do setor de cultura. Em seguida, buscar parcerias com a comunidade além dos controles necessários das normas urbanas para chegar aos benefícios.

“Estamos completando 80 anos de política brasileira nesse setor e não somos mais a única instituição desse tema. O Brasil foi pioneiro na América Latina, mas precisamos nos adaptar a um tempo onde não mais apenas o passado precisa ser recolocado, mas também o registro efêmero do presente nos faz pensar sobre como seremos daqui em diante”, comentou o superintendente estadual do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Victor Hugo Mori, na abertura do 5º Simpósio do Patrimônio.

Unindo geografia e história – A base do estudo para o projeto da nova rota turística urbana (o município tem outras quatro, todas rurais) é o reconhecimento de uma área geográfica e seu tempo que já completou 400 anos de povoação, 360 anos de vila colonial e 150 anos de cidade.

Dentro dessa área estão as referências usadas para suas áreas internas como Largo do Pelourinho, Largo da Matriz, Largo São José, Largo da Cadeia Velha, Largo São Bento, Largo do Chafariz, Barreira, Ponte de Campinas, Largo do Cemitério, Companhia Paulista, Esplanada Monte Castelo, Largo Santa Cruz, Estrada de Pirapora, Largo das Rosas, Estrada de São João, Ponte Torta, Argos, Bela Vista, Largo São Jorge e Largo dos Andradas.

A lista de placas de identificação da primeira fase, de tamanho reduzido, pode aumentar porque além de espaços públicos como escolas, teatros ou museus existem também outros imóveis de associações e de serviços ou comércios tradicionais que podem solicitar adesão. O objetivo geral é estimular tanto o uso por turistas como também entre diferentes gerações de moradores da cidade.

Valorizar o já existente – Na apresentação do logotipo e do modelo de placa do projeto, o prefeito Luiz Fernando Machado afirmou que a cooperação entre as unidades de gestão de Cultura e de Agronegócio, Abastecimento e Turismo era um caso da busca do chamado trabalho em plataformas. “Existe um pensamento na política de que são necessárias apenas obras novas porque se não for assim falta a placa da inauguração. Temos que buscar também a potencialização e a renovação do já existente”, afirmou.

Os dois representantes da Câmara, Faouaz Taha na abertura do simpósio no Solar do Barão na quinta (17) e Wagner Ligabó no lançamento da rota no Complexo Fepasa na sexta (18), foram na mesma linha. E outros vereadores estiveram também presentes, como Romildo Antonio. Também esteve presente na abertura no Solar o vice-prefeito Antonio de Pádua Pacheco e representantes do Conselho Estadual do Patrimônio (Condephaat)  

A sociedade também acompanhou o tema, com representantes de instituições e movimentos como a Fatec Jundiaí, a Polícia Militar, o Pedala Jundiaí, a Associação Comercial, a Unip Jundiaí, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo, a Associação da Rota da Uva, o Ocupa Ponte Torta, o Tour Jundiahy, o Conselho Municipal do Patrimônio, entre muitas outras. A ex-secretária de Planejamento e Meio Ambiente, Daniela da Camara, também prestigiou o evento. No lançamento estiveram nomes como os gestores de Cultura, Vasti Marques, e de Agronegócio, Eduardo Alvarez, além dos diretores Marcela Moro e William Paixão.

Simpósio – Com salas cheias mesmo com a chegada da frente fria e chuvosa, o simpósio em que ocorreu o lançamento teve desde uma mesa sobre as variações de dialetos italianos dos imigrantes até outra sobre patrimônio ambiental e arqueológico, passando por outra onde a importância do trabalho interdisciplinar na análise prévia para qualquer projeto de restauro.

Também houve uma mesa problematizando o aspecto do patrimônio cultural imaterial com os desafios de uma comunidade indígena remanescente em Braúna (SP) e de uma associação comunitária da cultura afro-brasileira, o Instituto Cultural de Tradição e Memória do Samba de São Mateus, da capital.

Na sessão de apresentação de trabalhos estiveram assuntos variados desde propostas de intervenção para os remanescentes da Casa Rosa ou da Fiação e Tecelagem Japy até a requalificação do Complexo Fepasa ou o uso de georreferenciamento no patrimônio ferroviário, passando por pontes originais da cidade e novos olhares para suas raízes.  

Literatura – O sociólogo José Arnaldo de Oliveira, autor de estudos no site Jundiahy, marcou sua participação no lançamento da Rota do Centro Histórico com uma intervenção artística, inspirada nesse trabalho.

Largo da Matriz é encontro

Rua e Ponte Torta, caminho

Largo do Chafariz era água

E a lei, Largo do Pelourinho

 

Largo São José era chegada

Estrada de Pirapora, a saída

Largo Santa Cruz é memória

E Ponte de Campinas é vida

 

São Bento cria largo e ladeira

E Largo das Rosas é a beleza

Largo dos Andradas aconchego

Companhia Paulista é certeza

 

Barreira na estrada de Minas

Torres Neves na de São João

Cemitério marca essa colina

Argos recebe rio com emoção

 

Estrada velha vira da boiada

Monte Castelo virou esplanada

Tomanik e Segre subiram ladeira

E a Bela Vista olha da cumeeira

 

Jundiaí é rio em luso e em tupi

E salvamos o córrego do Mato

Se nascentes foram soterradas

O Guapeva ainda brilha ali

 

Trajeto lindo é na rua da Palha

Imperial ou Concórdia, travessa

E caso a memória não nos falha

Vilas aquém-rios também nessa

 

Graff, Rio Branco, Liberdade

Até São Jorge e sua costureira

No centro histórico da cidade

A magia do caminho é certeira

 

 
 
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