ROTEIROS EDUCACIONAIS E TURÍSTICOS

No segundo semestre, quando Jundiahy prepara a passagem de seus 354 anos de existência reconhecida pelo então governo de Portugal, o museu ao ar livre existente nessa área interfluvial pode ser utilizado por escolas, faculdades, expedições fotográficas ou grupos turísticos de maneira inovadora. Conheça alguns circuitos possíveis e veja detalhes no final da página. Esta parte é um desenvolvimento do MUSEU DE RUA e também é um diálogo com os ROTEIROS LOCAIS.

 

 1. CIRCUITO AMBIENTAL

 A visão de um centro interfluvial acrescenta o meio ambiente ao patrimônio histórico. Inicia em um dos pontos de vista panorâmica da topografia local, importante não apenas esteticamente mas para a segurança dos primeiros povos indígenas, e passa pela várzea do rio Guapeva a partir da Ponte Torta, chegando ao encontro com o rio Jundiaí na Vila Graf para discutir os desafios da despoluição,  revitalização e drenagem urbana, depois observando a ocupação pelas autopistas até o largo da Liberdade e Barreira e passando pela margem arborizada do córrego do Mato na região da ladeira Segre e depois na Bela Vista. Inclui os cinco pontos com árvores protegidas por lei municipal. Uma ciranda de reflexão sob árvores ou com bicicletas é uma boa atividade de encerramento.  

 

2. CIRCUITO DO POVOAMENTO

As origens documentadas do povoamento caucasiano/mestiço dos “paulistas” do século XVII estão obviamente no largo da Catedral, de uma época onde governo e religião eram poderes interligados. Uma visita aos túmulos ainda existentes no local indica tanto essa relação na vida dos antigos senhores de terras como a atitude de alguns em também propiciar o enterro de empregados e escravos no local. No mesmo largo está outra fonte de dados que é o Museu Histórico e Cultural. Uma passagem pelo Largo São José e pelo Largo do Chafariz pode localizar o grupo em relação às antigas estradas para São Paulo, para Campinas, para Minas Gerais, para Pirapora e para Itu. Vale a pena completar o circuito com a vista do Mosteiro de São Bento, instalado em 1658 com uma sesmaria (propriedade de terras) em toda a área central. Uma imagem informada sobre a etimologia do nome do centro histórico com o peixe jundiá é uma sugestão de encerramento.

 

3. CIRCUITO ÁFRICA BRASIL

O passado da escravidão local pode ser abordado a partir do largo do Quartel, onde era localizado o pelourinho colonial inicialmente usado para os moradores mais pobres e cativos indígenas no século XVII e, a partir do século seguinte, para cativos de origem africana. Ali funcionou também a primeira igreja de Nossa Senhora do Rosário. Depois, no largo da Catedral, existem ainda as senzalas no jardim do Solar do Barão, onde viveram os ancestrais da família Queiroz Telles no século XIX. E, no largo da Bandeira (antigo largo do Rocio), estão a atual igreja do Rosário e o mais antigo clube negro em atividade do estado, o 28 de Setembro, com 112 anos de existência na cultura afrobrasileira e com origem nos cidadãos libertos antes da abolição, nas mudanças trazidas pela ferrovia. A praça abrigou coisas como um tronco de castigos. Uma roda de capoeira ou de samba raiz é uma sugestão de encerramento.

  

4. CIRCUITO CIDADANIA FERROVIÁRIA

A monocultura do café, planta de origem africana trazida segundo a lenda “de contrabando” da Guiana Inglesa, formou a principal força econômica do país no século XIX e exigiu linhas de exportação criadas com a tecnologia também inglesa da máquina a vapor (que consumiu as árvores da mata atlântica e depois trouxe o reflorestamento de eucaliptos australianos) e a tecnologia ainda brasileira na época, do trabalho escravo. Mas o trabalho ferroviário exigia contratos assalariados, tanto para moradores de todas as etnias como para os imigrantes italianos. O circuito começa nas antigas oficinas, no Museu da Companhia Paulista e na antiga estação central da Paulista, lembrando que logo atrás (no largo da Liberdade) surgiu o Paulista Futebol Clube. E segue depois para o largo do Fórum, onde em 1906 ocorreu a morte de duas pessoas na primeira greve operária por direitos como o dia de descanso (e que em São Paulo causou a também primeira invasão da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, que apoiava o movimento). O largo também tem, em frente à agência do INSS, o busto do deputado local Eloy Chaves que em 1923 criou a primeira lei da previdência social no país. Depois o circuito passa pelo largo do Quartel, onde os ferroviários criaram o centenário Gabinete de Leitura Ruy Barbosa, e pela ladeira Siqueira, onde criaram o também centenário clube Grêmio CP. Pode passar ainda pelo largo do Chafariz, onde estão os prédios do antigo Sindicato dos Ferroviários e da União dos Ferroviários Aposentados, terminando na atual sede da Associação dos Aposentados, na ladeira Torres Neves. Uma atividade que pode encerrar esse circuito é uma audição coletiva de Trem Caipira, de Villa Lobos, ou um trenzinho ao som de “piui-piui-chuá-chuá”.  

 

5. CIRCUITO DA TECNOLOGIA

Alguns pontos que guardam a evolução de algumas tecnologias em Jundiahy podem ser aproveitados nesse circuito. O mais preparado desses é o Museu da Energia, mantido pela Fundação Águas e Saneamento no largo Monte Castelo e que ocupa o mesmo prédio onde foi instalada a primeira empresa de eletricidade no início do século XX. Na mesma área, a Ponte Torta indica tempos do século XIX onde os bondes ainda usavam energia animal. Outro ponto de interesse é o local da primeira empresa local de telefonia, cuja fachada superior é mantida com esmero na quase esquina das ruas do Rosário e Padroeira, no largo da Catedral. Outro ponto, já bastante alterado pelos interesses comerciais, é a antiga agência dos correios na esquina da rua Padroeira com Barão de Jundiaí, no mesmo largo.  Finalmente, o circuito envolve também a passagem pela antiga estação de abastecimento no alto da ladeira Municipal, onde funciona hoje o velório municipal, mantendo suas linhas de época no exterior. Uma atividade de encerramento pode usar o clássico “telefone sem fio”, onde as histórias mudam ao sabor do número de ouvidos onde passa a mensagem e que nenhuma tecnologia resolveu inteiramente.    

 

6. CIRCUITO INDUSTRIAL

Este circuito também pode começar nas oficinas da Companhia Paulista, desta vez com ênfase nos trens ainda remanescentes e seguindo para o lado urbano dessa influência, com parada em trechos de casas como das ruas França e Visconde de Mauá, na ladeira Municipal, originárias dessa rede. Em seguida, a parada é na Vila Graf com uma visão das influências do pólo cerâmico referenciado pela Pozzani. Outras paradas podem ser feitas na ladeira Cavalcanti para o Complexo Argos e os conjuntos residenciais derivados do pólo têxtil do século XIX nesse entorno de Jundiahy, na Bela Vista com a correlata fábrica de máquinas de costura da Vigorelli (ainda com as ruínas do auditório) e na ladeira São Jorge com a correlata fábrica do mesmo ramo no século XX. O fechamento do circuito pode ser feito na antiga indústria de vinhos situada onde funciona hoje a unidade central dos supermercados Russi. Uma reflexão sobre a suposta estabilidade do trabalho no passado e as dinâmicas dos tempos atuais pode encerrar o circuito.

 

6. CIRCUITO CULTURAL

Este circuito começa no largo Monte Castelo, no prédio da primeira escola pública de Jundiahy, incluindo artes plásticas, letras e música. Depois chega ao teatro Polytheama, onde uma exposição permanente mostra a história do local desde os antigos cinemas mudos que colocavam garotos para correr com rolos de filmes entre as sessões das diversas casas de exibição no centro histórico. Passa pelo largo do Quartel, com vistas ao Gabinete de Leitura, parando no largo da Catedral para histórias sobre os coretos e algum evento ou exposição temática no Solar. Passa pelo Centro das Artes, no largo do Fórum, incluindo as primeiras festas da uva e desce ao largo do Chafariz, onde atividades podem ser previstas em parceria com o Ateliê Casarão e com a Escola de Música de Jundiaí. No caminho, são citadas também as iniciativas autônomas da vida cultural (Vintage, Fashion, San Remo, Clube Jundiaiense, Grêmio, 28, Hallbar – e aquelas do circuito alternativo). Vale a pena também avaliar a vista da escultura de rua no ateliê de Elvio Santiago, na encosta interna da Bela Vista., ou a arte de pachtwork de Ana Consentino, na região do largo da Bandeira. A sugestão de encerramento, claro, é uma oficina de teatro, de dança popular ou das demais artes.

 

7. CIRCUITO ALTERNATIVO

Esse circuito pode ser abordado ao estilo contemporâneo de “tribos” (Mafessoli) ou subculturas urbanas, tendo como eixo a importância do ecletismo na formação educativa (sendo complementar ao circuito cultural). Por esse motivo deve incluir pontos de grafite urbano, as pistas de skate e cross-bike do Sororoca e também conversas com as casas de instrumentos ou de produtos de rock, reggae, samba , viola, quadrinhos , MPB e hip hop espalhadas pelo centro histórico interfluvial, como nas regiões do largo do Quartel, largo dos Andradas, ladeira Torres Neves ou largo da Catedral. Também podem ser notados os contrastes de época como a sobrevivência de alfaiates ao lado de lojas de tatuagens. Na ladeira Siqueira estão coisas como ateliês de artistas, locadoras de filmes clássicos e cineclube. O artesanato pode ser visto em feiras no largo do Fórum e na várzea do Guapeva. Os sebos também são outro fenômeno bacana nos largo do Chafariz, no largo São José e na ladeira Torres Neves. A sugestão de encerramento é uma troca de atividades de preferências entre os próprios estudantes.


8. CIRCUITO DA DEMOCRACIA

Este circuito visa valorizar as conquistas públicas obtidas pela comunidade ao longo do tempo. Inclui uma visita na antiga sede da Câmara dos Vereadores na região do largo do Fórum, onde funciona hoje a sede da Nossa Caixa, e outra na atual sede, no largo Monte Castelo, com contatos na assessoria da casa e de organizações de apoio como o Voto Consciente. Também pode incluir passagens pelo Fórum e pela sede da Ordem dos Advogados do Brasil, na mesma região, ou a Guarda Municipal e a FUMAS, nas oficinas da Paulista. Para uma atividade de impacto, vale passar pelo largo Santa Cruz (no mapa, ladeira do 28) que foi o ponto de partida na década de 1970 para as grandes passeatas com milhares de pessoas pelo tombamento da Serra do Japi e depois, em anos mais recentes, pela defesa da praça. Mas o mesmo pode ser comentado nos largos mais centrais sobre as campanhas pela restauração do teatro Polytheama, pela despoluição do rio Jundiaí, pela preservação das oficinas da Companhia Paulista e da antiga Argos Industrial ou pela defesa do córrego do Mato. O ponto final do circuito é o Espaço dos Conselhos, na região da ladeira São Jorge, tratando sobre participação da cidadania nos rumos da cidade e com atividades de encerramento sugeridas em parceria com as entidades de necessidades especiais, de meio ambiente ou sindicais.   

 

9. CIRCUITO GASTRONÔMICO

O circuito mais comum no turismo pode ser explorado também pelo aspecto da informação e da diversidade, visando mais um contato breve com os “chefs” responsáveis pelos sabores indicados na respectiva seção deste portal em Jundiahy. São casas de comidas vegetarianas, de sucos de frutas, de carnes artesanais, de comidas e bebidas brasileiras, italianas, espanholas ou orientais (entre outras) que trazem segredos de produtos de época, de conhecimento da diversidade agrícola e biológica, de cuidados aprendidos em séculos de convivência humana com os recursos da natureza. Também estão nesse campo as três feiras livres que continuam ocorrendo nessa área. A atividade sugerida para o encerramento do circuito, como não podia deixar de ser, é uma oficina de sabores ou uma análise de cadeias produtivas sustentáveis. 


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Imagens ilustrativas (mostra do passeio fotográfico Sandra Setti/Bom Dia, da bicicletada de abril e de evento na associação dos aposentados)


Notas:

Essa visão preliminar traz sugestões do editor do site, José Arnaldo de Oliveira, também sociólogo, antropólogo e jornalista. Mas lembrando de  nomes que poderiam apoiar o detalhamento de alguns dos circuitos e que fazem a vida local descrita nas diversas seções deste sítio eletrônico.

Os circuitos interagem entre si, podendo também gerar circuitos mistos a partir de releituras ou até menores, dependendo das condições de locomoção do grupo.

Os temas também não devem isolar o roteiro escolhido das fachadas, praças e detalhes que vão surgir, de forma holística, em todos os circuitos.

O site Jundiahy não é proprietário dos circuitos propostos para o museu ao ar livre, mas se coloca como parceiro de educadores, guias e instituições que promovam a valorização do centro histórico interfluvial   (sobre este ponto, ver a seção SOBRE O SITE)

 

 
 
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